segunda-feira, 9 de agosto de 2010

QUEM SABE: EXPLICA...


José Augusto Mourão (UNL-DCC)EM TORNO DE UM TEXTO TEÓRICO DE
A. RAMOS ROSA
A palavra e o silêncio (a estratégia do signo)
La parole vraie, celle qui signifie, qui rend enfin présente "l´absence de tout bouquet" et délivre le sens captif dans la chose, elle n´est, au regard de l´usage empirique, que silence, puisqu´elle ne va pas jusqu´au nom commun. Merleau-Ponty
O desvendamento e a aletheia. Esta e o logos são uma 
e a mesma coisa. Heidegger
À l´ensemencement de la vague et de l´onde, comme au commencement du monde, est l´écho du tohu-bohu. M. Serres
No princípio não existe o silêncio, não existe a palavra: é o tohu wabohu tehom que é tumulto e vazio, abismo e trevas. A natureza não canta, a noite não se cala. Do começo que o homem forja a sua linguagem. Vitória do homem sobre as coisas, nomeação do real, e a seguir apelo, ex-posição e posicionamento do outro. Daí começou o homem a aprender a conjugar as palavras: combate como o de dois corpos que se procuram, de duas vozes alternadas que se chamam. A palavra tornou-se diálogo. E é então que a palavra ensina o silêncio.
É verdade que o pensamento ocidental não suporta, não suportou nunca o vazio da significação, o não-lugar e o não-valor. Falta-lhe uma tópica e uma económica (1). Ora é daí que Ramos Rosa fala: do vazio, como condição do acontecimento da palavra poética.
"...movimento criador...turbilhonante negatividade, ou seja, ao vazio da criação".
" A palavra nasceu do adensar-se do silêncio, dele e contra ele...".
A palavra é então um animal vivo (ciclo do cavalo), um lugar de combate contra si mesma - do silêncio e contra ele. Encenação de um gesto, um acto (ins-crever) e virtualização do seu objecto: o corpo. A escrita transporta os traços de morte da sua efectuação como um nascituro. Donde o falar-se de "turbilhonante negatividade". Do negativo duma diferença, como diria P. Beauchamp: o escrito, letra estreita e vazia, define-se como o continente que não contém nada (2).
No princípio não existe o silêncio, não existe a palavra. Não, no princípio não era o verbo: o verbo vem onde é esperado. Escreve-se antes de mais através de uma vaga de música, uma vaga de fundo que vem do barulho de fundo, que vem de todo o corpo talvez, e talvez do fundo da alma ou da porta da sala, ou dos últimos amores, portadora do seu ritmo complicado, do seu tempo simples, das suas linhas melódicas, flutuação doce, queda partida. Não se pode apertar a sua pena sem que isso, que não tem verbo ainda, voe. No começo é o canto (3). O que quer também dizer que não se entra no mundo da significância senão através da escuta dessa "turbilhonante negatividade". Significar é obedecer (de ob-audire ). O funcionamento da escrita ilumina simultaneamente a relação nocturna do espírito com o invisível: o vazio é uma plenitude porque o múltiplo ilude o desejo, escapa e é substituído por uma totalidade que promete o repouso (4) e com o visível, a concreção duma forma: Esta escrita dita "representativa" pareceu-me pertencer não à criação dum pensamento, mas à de um acto, de um trabalho realizado por um gesto da mão. Este gesto permite não dissolver, cair no estupor ou na loucura, criar uma actividade de representação e estabelecer um espaço em que, por pouco que seja, "eu" pode acontecer. Trata-se portanto do recurso a um movimento do corpo, que "faz entrar" no psíquico, ou ainda da impressão, de um traço graças ao qual se inscreve num objecto terceiro, (uma superfície), uma representação (5).
No começo, a tábua rasa é o momento em que somos confrontados com uma textura de vida, com um texto: nesse momento, um princípio organiza o impacte daquilo que me acontece, daquilo que se me oferece ou me acontece. Um princípio organiza o ompacte daquilo que me acontece sobre aquilo que recebi de conhecimento por herança. É isso o trabalho do originário. Liberta-nos do fascínio do original, do fascínio da "cena primitiva", dessa tentação sempre prestes a enganar-nos de procurar naquilo que se passou antes a explicação daquilo que agora é. Estudar e escrutar os actos do passado é descobrir sabedorias antigas em que se praticou já o trabalho do originário. São essas sabedorias que nos salvam dos tradicionalismos em voga.
É este vazio da repetição que, segundo Lévy-Strauss significa a significação (6). A repetição pois, como princípio da significação, de que testemunha a rima, a paronomase, a aliteração, etc., justificam o princípio deste texto, entendido como um jogo de significantes que se se cor-respondem. Bloco é uma matriz vazia de onde partem as várias moidelizações e derivações textuais. Forma totalmente vazia (de mensagem), esse primeiro significante poré,, não produz significância senão percorrendo, em zig-zag, é certo, os graus obrigatórios da mimese. A paranomase é um dos jogos de palavras que, operando com a obliquidade, dela extrai a variação significante da própria mimese. Dessa semiose introversiva resultam sentidos não pre-vistos nem sabidos antes, deslocados do sentido, que é a informação fornecida pelo texto ao nível mimético. O uso da paronomase, seja ela fónica ou paradigmática ("bloco, dizia, onde ecoa o eco da defrontação"; "ânsia, opressão, estacada pressa") sustenta-se "de uma lógica que abre para semelhanças e onde, na ruptura aberta pela sua conjunção nada se representa que pudesse passar por um significante" (7).
As palavras como que se chamam umas às outras, repetindo-se, através de afinidades fónicas, semânticas, sintagmáticas sem fim, referidas exclusivamente ao próprio movimento de "rotação dos signos" e ao turbilhão que os aspira. Neste movimento sem fim que leva o texto à deriva, à significância, lê-se, em filigrana, o desespero da cadeia significante que não consegue sedimentar no vazio, é o apelo de novo e em compromisso com a sobredeterminação mimética. Trabalho poético de motivação dos signos, é luta contra o acaso e contra a limitação do arbitrário.
Tirar do esquecimento ( aletheia ), da obscuridade, do silêncio e logo da inexistência as palavras, é isso criar, dar o ser: o logos coloca-se diante da preença e depõe, quer dizer, re-pousa, a coisa presente na presença. (...) Na medida em que o logos deixa estendido diante, como tal, aquilo que se estende-diante, desvela a coisa presente na sua presença. Ora, o desvendamento é aaletheia. Esta e o logos são uma e mesma coisa (8).
Só que na perspectiva de Ramos Rosa ou dos teóricos modernos da literatura, este processo de desvendamento das coisas (criação) deixou de ter uma origem religiosa (o homem é a medida de todas as coisas - Protágoras). Não encontramos aqui a posição mística que é a de saber se se pode nascer da palavra de um Outro: o poema é o que responde a esta questão. Ramos Rosa segue neste seu passo a teoria heideggeriana do "es gibt" (na dupla significação de "existe" e "isto dá"): onde há poema há palavra e isso dá a palavra. A poesia não nasce, gera. Ela é começo, alteridade que se coloca com uma tal necessidade que funda nomeando, sem que nada de exterior a ela a confirme ou autoriza. O poema é uma palavra dada ao homem. Escutando-a, podem-se tirar sentidos diversos, significações múltiplas, mas isso começa por um significante fundador que é o poema: Não há que procurar coisas espirituais, só há estruturas do vazio (9).
Que o texto é um conflito, di-lo de vários modos Ramos Rosa: "defrontação com a brancura da página", "ânsia", "opressão", "violência", como o dissera já Meschonnic: Um texto é um conflito, porque a linguagem (veicular, descontínua) é relação, distância (sempre já começada, mesmo no pictograma, do referente com o signo) e que a escrita é relação com esta relação, distância relativamente a esta distância, para reencontrar a participação com o mundo. Mesmo se este movimento é apenas um texto dentro da intertextualidade, é movimento para um referente através de um significante: em Raymond Russel , ou o H em "Les Travailleurs de la mer". Mas como a escrita é inteiramente interior à própria linguagem, vive de ser uma contradição e que é contradição também para uma posição crítica, instrumentos conceptuais: a forma-sentido, o espaço para-gramático .
O que este conflito denuncia é concretamente o trabalho de formalização de figurabilidade que começa com a negatividade: a simbolicidade é apenas o Ser-simbólico do Simbólico: ela é simultaneamente o começo e o fim da simbolização que nunca acaba e necessita sempre da lei, isto é uma negação como determinação, a negação por excelência: "Não matarás" (10).
Mas, se a negação for, como pretende Chomsky, por exemplo, apenas uma das muitas possíveis transformações de superfície? O Trabalho sobre a estrutura de profundidade da linguagem é "tautológico, simples, separado e repetitivo"? Des-dita, forma de ausência, criação da ausência pela não-afirmação, e por isso mesmo lugar do múltiplo. Lugar da rarefacção do dito (enunciado) da língua, da aparição do dizer (enunciação), vazio criador do possível narrativo: "Entre a indeterminação da possibilidade e a vertigem dela"?
Da lacuna, lugar vago, vazio, se desenha o horizonte da expectativa do leitor, contrariando a conexão ordinária que ele está habituado a estabelecer com as coisas e o mundo. Trabalho de negação também - produção de espaços vazios estimulantes de criação. Entre a palavra e o silêncio, uma poesia concreta? (11) Algo como o trabalho do sonho, composto por condensações e deslocações. A condensação não é uma compressão que seria o modelo reduzido ou a projecção ponto por ponto do pensamento do sonho, mas uma condensação por omissão, uma restituição essencialmente lacunar. Manifesta-se no descentramento do sonho, sobretudo em relação à palavra essencial, como a palavra "botânico", no sonho da monografia botânica: o que opera é a trasnferência das intensidades psíquicas dos diferentes elementos do sonho e a sua deslocação: aquilo que mais fala é a letra do discurso.
A estratégia do signo (representação, na tradição logocêntrica ocidental) consiste em instaurar-se como presença de uma ausência.
A escrita desmascara esta estratégia, a operação negadora dos signos, negando-a (representando-a). Efectivamente, a escrita é representação de representação, quer dizer desconstrução activa do signo no que ele tem de ilusão representativa: instaurar-se como presença de uma ausência, significante de um significado. Através desta operação, o signo torna-se apenas em traço significante de um significante. A escrita é entaão um combate contra a ilusão da linguagem: toda a imagem representada no seu papel de imagem (de ídolo), quer dizer, na sua inadequação mais fundamental: Mas o discurso que significa também o impossível do empreendimento linguístico - não é aquilo a que se chama uma escrita (12).
Representar uma forma, encontrar a palavra que nomeia as coisas e afasta delas, é essencialmente uma operação de (de)limitação, logo de ordenação do caos. Astucioso princípio de mimese: a significância imprime-se, exprime-se obliquamente á língua, sempre ameaçada pelo regresso ao sentido: Se a hipótese dum caos primeiro não se deve reter, como não se deve reter a hipótese de uma harmonia preestabelecida, sendo um e outro assintóticos e teóricos, não é menos verdade que o caos e a harmonia constituem dois modos limite de existência para os quais é possível tender (13).
Parece, pois determinante para a sobrevivência psíquica do sujeito esta arrumação do caos, um mínimo de chão a que agarrar-se. A inscrição de uma forma, traça e marca uma diferença que lhe permite resistir à fragmentação insuportável e à morte.
O estilo exprime o protesto, a vinganç, a permanância do Eu ideal confrontado com os constrangimentos que o superego tenta impor ao Eu: O estilo funciona em relação à escrita como a figuração simbólica em relação ao sonho: permite contornar as duas censuras (...) realizar o desejo, inscrever no texto os vividos corporais. Determinadas figuras de estilo retiram a sua força das suas referências a sensações ou a uma simbólica corporal (14).
O estilo reintroduz a mensagem simbólica na língua convencional, através das ténicas que esta fornece. Não admira que os estilistas e os teóricos do estruturalismo da linguística tenham caracterizado a mensagem através da metáfora e da metonímia, que correspondem ma língua convencional à semelhança e à contiguidade, fundamentais na expressão simbólica. O poder do estilo reside naquilo a que D. Anzieu chama a ilusão simbólica. A criança que em cada adulto dorme, aceita mal, depois de ter crescido e ter aprendido a falar segundo o código da linguagem materna, o arbitrário que liga o significado ao significante, conservando a nostalgia dos sistemas de comunicação infra-linguísticos e da relação simbólica entre os signos e os seus referentes. A ilusão simbólica é o sonho de uma língua em que a palavra se assemelhe à coisa ou seja parte constitutiva dela.

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>A noção de autonomia

(1) J. Baudrillard , L´échange symbolique et la mort . Paris, Gallimard, 1970, p. 337.

(2) Paul Beauchamp. L'Un et l'Autre Testament . Paris, Seuil, 1976, p. 192.

(3) Michel Seres, Genèse, Paris, Grasset/Fasquelle, 1982, p. 221.

(4) P. Beaucahmp, op. cit. , p. 151.

(5) M. Enriquez, "L'indicible et l'écriture", Topique. Revue Freudienne , 21, 1978, p. 53.

(6) Lévy- Strauss, Le cru et le cuit - Mythologiques, Paris, Plon, T. I, 1964, p. 46.

(7) P. Marie, J. M. Prieur, "Freudaineries" in Folle verité. Verité et vraisemblance du texte psychotique, Paris, Seuil, 1978, p. 86.

(8) M. Heidegger, Logos", in Essais et Conférences , Paris, 1968, p. 267.

(9) Michel de Certeau, "La folie de la vision", in Esprit , Junho 1982, p.99.

(10) Krémer-Marietti, op. cit., p. 218.

(11) Ana Hatherly, "Notas para uma teoria do silêncio como negação", inJornal de Letras , nº 10, p. 12.

(12) Julia Kristeva, in Folle verité, op. cit., p. 119.

(13) M. Enriquez, art. cit., p. 53.

(14) Didier Anzieu, "Les traces du corps dans l´écriture", in D. Anzieu et al., Psychanalyse et langage, pp. 181-184. Cf. Ella Sharp, "Mécanismes du rêve et procédés poétiques", 1937, trad. franc. Nouvelle Revue de Psychanalyse , nº 5, 1972, pp. 101-114. 

domingo, 8 de agosto de 2010

Um dia de domingo


Estou caminhando matutinamente com meus cachorros, isso tem feito muito bem a nós três... saúde, disposição, pés de amora pelo caminho,  respiração, pele, ideias, paz, energia... poderia aqui alencar muitos motivos que tem me convencido a continuar... hoje descobri mais um... descobri que não caminho solitária... outros olhares acompanham o meu caminho... olhares curiosos, arteiros e... corajosos... que tiveram o impulso de aproximar-se e trocar algumas palavras...
- Olá...
- Olá - respondi.
- Você é muito bonita e...
- E... casada - continuei.
Ele ficou desconcertado mas continuou...
- Seu marido é um homem de sorte.
- Obrigada pela gentileza, tchau. - Encerrei a conversa com um sorriso e segui meu trajeto.
- Não posso saber o seu nome? - Ele quis esticar o contato...
Balancei a cabeça negativamente, pois não acredito na amizade entre sexos opostos, principalmente quando nós baixamos a guarda, conhecemos e deixamos ser conhecidos pela outra pessoa a ponto de desenvolver uma admiração, pois só consigo me apaixonar por alguém que admiro, por isso crio barreiras que os assustam e não deixo que se aproximem, no máximo em coleguismo artificial, e olhe lá, caso contrário as pessoas vão se envolvendo com as angústias das outras, desabafando as suas e, quando menos se espera, o envolvimento ultrapassou a barreira de segurança... atropelou os corredores... magoou os espectadores e... ninguém consegue ultrapassar a linha de chegada... todos ficam com o gostinho de medalha entalado no pescoço...  - isso me lembra o cachorro Mutley, que recebia a promessa de medalha do Dick Vigarista, mas nunca recebia (essa é outra história); - voltando ao episódio de hoje... posso pensar em várias coisas...
- Como é bom ainda ser admirada... mesmo carregando quase quarenta anos e dois cachorros...
- Como as pessoas estão carentes... em se satisfazer com pequenas cantadas ou oferecê-las... 
- Como eu mudei... e me mantive com a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo...
Enfim...
Uma hora e quarenta minutos de caminhada, um banho, um enorme copo de água e um vestido fresco para a maratona do dia dos pais... churrasco em família.

O CAFÉ

A PENSÃO AMANHECIA SEMPRE AOS GRITOS, RANGENDO SUAS PORTAS E JANELAS, ARRASTANDO SEUS PÉS, PELO LONGO CORREDOR EM ASSOALHO DE MADEIRA GASTA, COMO TAMBÉM COM O TROPÉ DE CADEIRAS, NA APERTADA COZINHA, PARA O CAFÉ... O CHEIRO VINHA FORTE DA COZINHA... E CONTRASTAVA COM O ODOR ÁCIDO QUE VINHA DO LADO OPOSTO DO CORREDOR, O BANHEIRO COLETIVO ESTAVA CONCORRIDO E LAMACENTO...
NA COZINHA, A SENHORIA COM SEU AVENTAL AMARROTADO, FAZIA QUESTÃO, COM SUA DENTADURA SORRIDENTE, DE SERVIR CAFÉ A TODOS PARA CERTIFICAR-SE QUE NINGUÉM FICARIA NOS QUARTOS, OU SAÍSSE SEM PAGAR A NOITE... ERA UM RITUAL DE "SAI FORA" PRA TODOS QUE DEVERIAM PARTIR PARA SEUS BICOS OU VIA SACRA DE PROCURA DE EMPREGO, VENDEDORES AMBULANTES, VIAJANTES, MASCATES, MALANDROS DA SOBREVIVÊNCIA, VOLTAVAM A NOITE EXAUSTOS, ALGUNS BÊBADOS E OUTROS COM ALGUM TROCADO... EMPREGO... NEM SEMPRE ACHAVAM... MESMO SE PORVENTURA QUISESSEM... E... CERTAMENTE A MAIORIA NÃO QUERIA...
PENSÕES SÃO LUGARES QUE ATRAEM RATOS, GATOS EMPESTEADOS E CACHORROS SARNENTOS, QUE SE CONFUNDIAM COM AS PESSOAS DE MESMO TEMPERAMENTO... MAS O LUGAR ERA LIMPO, PELO MENOS AQUELE QUARTO ERA, SÓ HAVIAM QUARTOS PARA SOLTEIROS, COM CAMAS DE SOLTEIRO OU BELICHES, ENTÃO, JUNTARAM DUAS CAMAS E FIZERAM A SUA CAMA DE CASAL... O PEQUENO QUARTO AINDA TINHA UMA MESINHA COM DOIS BANCOS, ENTUPETADA DE LIVROS E PAPÉIS, UMA CÔMODA COM QUATRO GAVETAS QUE  EM CIMA TINHA UM VELHO ABAJUR E UM AQUÁRIO COM UM PEQUENO PEIXE SOLITÁRIO, CARNÍVORO... NO CHÃO UM VELHO BAÚ COM AS VITAMINAS DA NOSSA MEMÓRIA... DOIS PARES DE SAPATO SE ENTRECRUZAVAM ATRÁS DA PORTA... NÃO TINHAM CONFORTO, NEM PRIVACIDADE, NEM CONDIÇÕES DE IR PARA UM LOGAR MELHOR... ALI ERA SÓ UM LUGAR PARA ENCOSTAR...
HOJE ELA ESTAVA PARTICULARMENTE DEPRIMIDA, PODIA ESTAR GRÁVIDA, QUE DESGRAÇA ISSO SERIA, VIVENDO DE BICOS E MIGALHAS, SEM UM NORTE, UM INDEFINIÇÃO QUE NÃO CONDIZIA COM PRENHEZ. QUANDO ELE ABRIU A PORTA DO QUARTO APENAS COM UMA XÍCARA NA MÃO, ELA PERGUNTOU...
- É meu café?
ELE A OLHOU DE SOSLAIO, COM DESDEM E, AOS BERROS, RESPONDEU...
- Não, cada um que sustente o seu vício! Você também tem pernas! Se vire...
ABORRECIDA E DECEPCIONADA, RESPONDEU AOS SUSSURROS...
- Mas eu pedi que trouxesse meu café, não estou bem, você sempre fez gentilezas...
ELA ESTRANHOU, POIS ELE SEMPRE CUIDAVA TANTO DELA, E PARECIA AGORA QUE ELE NÃO ESTAVA NEM AÍ PROS SEUS SENTIMENTOS, ELA SABIA QUE ELE ADORAVA ESSA SENSAÇÃO DE FRUSTRAÇÃO QUE CAUSAVA NAS PESSOAS, COMO NÃO QUERENDO QUE NINGUÉM ESPERASSE DELE, TALVEZ POR ACREDITAR QUE NÃO TINHA NADA A OFERECER... MAS COM ELA ERA A PRIMEIRA VEZ... AINDA EM PÚBLICO... PARA OS OUTRO PENSIONISTAS OUVIREM... EXPONDO-A AOS ANIMAIS PESTILENTOS QUE RODEAVAM SEU QUARTO... E ERAM MUITOS...
- Te deixei mal acostumada, ficou mimada e folgada... estou cheio dessas suas frescuras...
- Feche a porta, não quero que ouçam mais suas grosserias... quer se aparecer... que todos pensem que você da as cartas, que morro por você, que não me respeito, que me sujeito a tudo para estar aqui... tripudiar sobre a minha tristeza???... cansou?...
- Eu quero que você e todo mundo se foda!
- Ainda está de ressaca e...
- Estou de ressaca desde o maldito dia que te conheci...
- O que aconteceu? O vinho estava estragado? A trepada não foi a contento? Encontrou alguma vagabunda no corredor melhor que eu???
- Nossa, a fada está ficando nervosinha... NÃO... O que não aguento mais é esse chiqueiro... você... (RESPIROU FUNDO) você me dá azar... desde que te servi o primeiro café... desde que resolvi na minha bosta de cabeça que você era diferente... que merda... não me olhe assim...
- Eu nunca te disse que era diferente, nunca te disse que seria fácil, nunca ...
- Olhe a sua volta, vê alguma dignidade, vê algum sentido em nossas escolhas?
- Mas não fui eu quem escolhi esse muquifo, você já morava aqui... então?
- Então?... Então... não tem mais café na mão...
- É a única gentileza que me fazia sem intenção...
- Quem te disse?
- E não é? Era?
- NÃO...
- O que ganhava com isso...
- Saber que você estaria esperando por isso, que alguém me espera para alguma coisa, que alguém tão doce como você acredita que tenho algo pra te oferecer...
- E estive esperando sempre...
- Mas não vai ter mais...
- Por quê?
- Porque isso não leva a nada... eu não sou assim... não quero ser idiota assim... isso é tudo o que eu não sou.
- A solterona sem filhos do 42 deve estar amando essa nossa conversa.
- Você e seu ciuminho idiota dessas vacas... 
- Não é ciúmes, só não quero que fiquem rindo de mim e rodeando você como moscas na merda...
- Até isso já foi charmoso ... agora acho ridículo... cadê a garota que se achava a tal?...
- Cadê o garoto que me achava a tal?...
- Nunca te achei a tal.
- Não estou bem... acho que é o rim...
- Novidade... não se cuida... já tomou água hoje?
- Não tomei nem café ainda... (RISOS)
- Não dá pra falar sério contigo...
JUNTOU ALGUMAS COISAS NUMA MALA VELHA, UM POUCO MAIS DA METADE DA MUDANÇA DO QUARTO... ELA FICOU OLHANDO NUM CANTO DA SUA PARTE DA CAMA, ATADA AO LENÇOL AMARELO, SUA ALMA ESTAVA APAVORADA E SEUS OLHOS SECOS... ELE FECHOU A MALA, JOGOU O PAGAMENTO DA PENSÃO SOBRE A MESA, UM DINHEIRO AMARROTADO, NÃO CONSEGUIA OLHAR EM SEUS OLHOS, ERAM ABISMOS DOS QUAIS ELE NÃO CONSEGUIRIA RETORNAR.... ELA NÃO DISSE MAIS NENHUMA PALAVRA... SEM SÚPLICAS... ELE SAIU ARRASTANDO SEUS PERTENCES SOB OS OLHARES E COCHICHOS CURIOSOS DOS OUTROS INQUILINOS, ELA ESTAVA CONFUSA, QUERIA GRITAR, QUERIA CORRER ATRÁS E SEGURÁ-LO... FOI AOS POUCOS SOLUÇANDO E SOLTANDO PELOS OLHOS A SUA SAUDADE...SABIA QUE ELE NÃO VOLTARIA MAIS, SABIA QUE NÃO TERIA CHANCE DE FALAR-LHE SOBRE A POSSIBILIDADE DE UMA CRIANÇA... TERIA QUE TOMAR OUTRO RUMO... ESCREVER OUTRAS HISTÓRIAS... COMPARTILHAR OUTRAS COINCIDÊNCIAS... SEM O GOSTO DE CAFÉ NA BOCA... ADORMECEU ENTRE O LENÇOL USADO NA NOITE ANTERIOR E AS LÁGRIMAS DE UMA MANHÃ QUE PODERIA NÃO TER AMANHECIDO... CADÊ O SOL?

sábado, 7 de agosto de 2010

QUESTÃO DE GÊNERO?



O SER HUMANO GOSTA DE DIFERENCIAR CRIANDO IDENTIDADES, DENTRO DESSAS IDENTIDADES ESTÃO COMPORTAMENTOS E MODELOS QUE CARACTERIZAM-NA COMO TAL... É MAIS FÁCIL PARA O PODER CONTROLAR OS CORPOS, CRIANDO UM DISCURSO DE SABER QUE INFORME AS CONDUTAS ADEQUADAS A CADA PESSOA, MAIS FÁCIL SEPARAR NAS PRATELEIRAS PRODUTOS ROTULADOS...
EM CIMA DESSAS IDENTIDADES PRÉ-FABRICADAS PELA CULTURA, NATURALIZADA PELO HÁBITO ESTÁ TODA A VIDA SOCIAL... SUA FALA, SEUS GESTOS, SUAS COISAS E COISIFICAÇÕES... SENTIMENTOS, AFEIÇÕES, DESEJOS... O EMPÍRICO E O METAFÍSICO... CRIAÇÕES QUE RECRIA SERES A TODO MOMENTO.
UM DOS DISCURSOS MAIS ANTIGOS É O DISCURSO MORAL... O QUE SE PODE OU NÃO FAZER COM O PRÓPRIO CORPO OU COM A PRÓPRIA VIDA... DIFERENTE DA ÉTICA QUE PRIMA PELA VIDA... A MORAL PRIMA PELA APARÊNCIA... PARECÊNCIA...
UM EXEMPLO É O CONCEITO DE TRAIÇÃO... ALGUÉM QUE DESEJA MAIS DE UMA PESSOA AO MESMO TEMPO... AMBOS OS GÊNEROS FAZEM ISSO (INDEPENDENTE DA MOTIVAÇÃO)... REAL OU IMAGÉTICAMENTE... TODOS JÁ DESEJAMOS TERCEIROS OU QUARTOS EM UMA RELAÇÃO A DOIS... MAS, NA MAIORIA DAS VEZES, APENAS O GÊNERO FEMININO É PUNIDO TÃO CRUELMENTE POR ESSE ATO NATURAL, DESNATURALIZADO PELA BARBÁRIE CIVILIZATÓRIA... VIVA A RAZÃO E O MITO DO CIENTIFICISMO... E TAMBÉM AS CIÊNCIAS HUMANAS ESPECULATIVAS.

PRINCIPAIS CRIMES CONTRA A MULHER

AINDA VIVEMOS EM UMA SOCIEDADE MACHISTA, PRECONCEITUOSA, HIPÓCRITA E DE DOMÍNIO DE VALORES DITOS RELIGIOSOS, ONDE OS TUDO SE JUSTIFICA PELA MANUTENÇÃO DE VALORES QUE NÃO SE MANTÉM SEM A OPRESSÃO E A BARBÁRIE.

Constrangimento Ilegal
Se alguém usar de violência ou grave ameaça, ou pôr qualquer outro meio provocar a redução de sua capacidade de resistência, a fim de obrigar você a não fazer algo que a lei não manda, você estará sendo vítima do crime de constrangimento ilegal, previsto no art. 146 do nosso Código Penal, e a pessoa que o praticou poderá ficar detida de 3 meses a um ano, .... Só se você denuncia-la!
Como?
É simples. Registre uma queixa na Delegacia mais próxima ou se preferir na própria Delegacia de Proteção à Mulher e exija a apuração do fato.
Ademais, não esconda o problema dos seus amigos, parentes ou vizinhos, pois eles poderão lhe apoiar e testemunhar a seu favor.
Ameaça
Quando você se sentir ameaçada de sofrer um mal injusto é grave, através de palavras, escrito, gestos ou qualquer outro meio simbólico que deixe clara essa intenção pôr parte de quem a pratique, não substime e nem tenha medo.
O Código Penal Brasileiro, no seu art. 147, prevê essa situação como o crime de Ameaça e determina a detenção de 1 a 6 meses para o infrator.

Pôr isso, não espere que mal cresça. Procure a Polícia e não hesite em gritar pôr "Socorro". A ameaça, em si, já é crime, mas, não contida a tempo, pode desencadear na prática de outro delito mais grave. Portanto, aja rápido!
Calúnia, Difamação e Injúria
Agora, você que é mulher, preste muita atenção a isto: a nossa honra é a nossa reputação tem importância fundamental frente a sociedade e a nós mesmas. É uma das formas mais faceis de se atingir uma mulher, é exatamente atentando contra sua honra, através dos chamados "falatórios", tão comuns, principalmente entre os homens que basear a imagem de uma mulher.
Acontece que, o nosso Código Penal não iria deixar essa questão, que pode parecer banal, passar em "brancos mevens".
Assim, previu modalidades de crimes contra a honra. Vamos conhecê-los um pouco?
Calúnia – Ocorre quando alguém acusa facilmente outra pessoa, de haver praticado um fato que a lei define como crime.
Difamação – Ocorre quando alguém ofende a reputação de outra pessoa, fazer comentários que visam exatamente difamá-la.
Pena: detenção de 3 meses a 1 ano.
Injúria – Ocorre quando alguém ofende a dignidade e o decoro de outra pessoa, principalmente proferindo ofensas verbais.
Pena: detenção de 1 a 6 meses.
Atenção: Esses crimes só podem ser apurados com a denuncia da própria vítima. Logo, você deve ir à Delegacia levando uma queixa já escrita ou pode registra-la com o policial, mas não tenha vergonha de relatar os detalhes, pois eles são muito importantes na caracterização do delito. E não esqueça de arrolar testemunha, caso elas existam.
Sedução
Se você for maior de 14 anos e menor de 18 anos e perdeu sua virgindade pôr Ter mantido relação sexual com um homem que se aproveitou de sua inexperiência ou justificável confiança nele, para, depois disso dar o fora, você foi vítima do crime de sedução, e o autor desse delito pode ser apenado com reclusão de 2 a 4 anos.
OBS: Em alguns casos, a vítima fica grávida e o autor busca eximir-se da responsabilidade. Assim sendo, a jovem vítima tem a lei a seu favor para provar a paternidade do autor da sedução.
Os responsáveis pela menor devem, de logo, registrar o fato na Delegacia e procurar a Assistência Jurídica de um advogado.
Lesão Corporal
Se alguém ofender a sua integridade ou sua saúde, terá praticado o crime de lesão corporal, previsto no art. 129 do Código Penal Brasileiro.
Embora a lei condene a lesão corporal, quando se trata de um homem Ter batido numa mulher, a própria sociedade e a mulher e a cultura, de certa forma acabam absolvendo tal conduta, normalmente por entender que, nas brigas entre marido e mulher eles mesmo se entendem ou até declarando que tem mulheres que gostam de apanhar. As próprias mulheres, durante muito tempo, adotaram uma postura mais acomodada diante dessa realidade, e esse silêncio mantinha impune as agressões.
Hoje, as mulheres estão mais conscientes de que denunciar tal crime é a melhor maneira de prevenir novas agressões.



ATENÇÃO PARA ESSAS DICAS
  • Grite por socorro, para que alguém possa tentar impedir a agressão;
  • Se você ficou muito machucada, vá logo ao Hospital Público, onde há sempre um policial de plantão que anotara sua queixa.
  • Registre uma queixa na Delegacia e requeira guia para exame de corpo delito a ser feito no Instituto Médico Legal, que servirá de prova para processar criminalmente o agressor e até exigir uma indenização pelos danos causados.
  • Havendo testemunhas, forneça seus nomes e endereços à Polícia para que elas possam depor a seu favor.
  • Evite medicar-se por conta própria, antes de submeter-se ao exame pericial.
  • Procure a assistência de um advogado.
  • Procure o apoio dos grupos de mulheres e instituições de defesa dos direito das mulheres.
Estupro
Se um homem utiliza da força da ameaça ou da intimidação para manter relações sexuais com uma mulher, contra a vontade dela, ele a estará estrupando.
O que caracteriza esse crime, dentre outras coisas, é a prática de relação vaginal, ainda que acompanhada de outros atos.
Se a vítima for menor de 14 anos ou portadora de problemas mentais, previamente conhecido pelo criminoso as relações sexuais praticadas com ela serão sempre consideradas estupro pois nosso Código Penal presume a violência, nesses casos, ainda que a vítima tenha consentido com a relação.
Atentado Violento ao Pudor
O que caracteriza esse crime é a pratica de relação anal, oral ou qualquer outro contato intimo, diverso da relação vaginal, do homem contra a mulher, com uso de força, ameaça ou intimidação.
Esse crime e o estupro, são considerados, pela lei brasileira, como crime hediondos.
OBS: Apesar de ser difícil, para suas vítimas, lidarem com tal problemas, é importante que esses crimes sejam denunciados o mais rápido possível para facilitar a ação da polícia na perseguição do seu agente, e para que a vítima possa submeter-se ao exame pericial necessário, em tempo hábil para a eficácia de prova material do delito.
Amiga, lembre-se: Quem pratica tais atos é um criminoso e você não deve Ter medo de denuncia-lo, você foi vítima de um crime.



DICAS PARA SUA PROTEÇÃO



  • Saia, de preferencia, sempre acompanhada;
  • Se alguém estiver lhe seguindo, use esses recursos;
  • Entre em algum estabelecimento onde haja movimento;
  • Peça ajuda em qualquer casa próxima;
  • Não vá para sua casa, se você mora sozinha;
  • Traga um chaveiro na mão, colocando as chaves entre os dedos de modo a que possam servir de arma defexi.

Caso o agressor se aproxime
  • Dê-lhe uma joelhada nos órgãos genitais;
  • Jogue qualquer objeto no rosto dele;
  • Traga consigo um frasco de desodorante e aperte contra os olhos deles;
  • Grite fogo ao invés de socorro pois assim é mais provável, que apareça alguém para ajudá-la;
  • Use a criatividade, mas só reaja se você sentir que tem alguma chance de escapar.



Quando não deu para escapar
Se você chegou a ser vítima de violência sexual, não hesite em adotar as medidas que irão lhe amparar legalmente.
Vá o mais rápido possível, a Delegacia mais próxima ou a Delegacia de Proteção a Mulher.
Conte tudo o que ocorreu ao policial e registre uma ocorrência.
O Delegado ou Policial lhe encaminhara ao Instituto Médico Legal com uma guia para que você se submeta, imediatamente, ao exame de corpo de delito.
Através desse exame, será coletado material da vagina ou ânus, conforme o caso, e será verificado se houve defloramento, recente ou não, e outros indícios, tais como mares de violência e presença de secreção masculina em outras partes do corpo;
Sua roupa íntima poderá, também ser encaminhada a exame pericial, por isso, evite lava-la e higieniza-se antes de ir à Delegacia.
Procure fazer esse exame no máximo até 48 horas depois do ocorrido, mas, quanto mais rápido, melhor;
O exame é gratuito e seu resultado, será encaminhado á Delegacia e anexado ao Inquérito Policial.
OBS: Caso você precise ser hospitalizada antes de tomar essas medidas, conte tudo ao médico e peça-lhe que os exames necessários para detectar marcas de violência, presença de esperma na vagina ou no anus e, se você era virgem, o exame de defloramento os resultados registrados no hospital servirão, mais tarde, para a Polícia.
ATENÇÃO:
  • Não esqueça que, em virtude do estupro ou do atentado violento ao pudor, você poderá vir a engravidar.
  • Por isso, é importante ter um acompanhamento médico e fazer a confirmação da gravidez, o mais rápido possível.
  • As mulheres, comprovadamente vítimas de estupro, tem direito previsto na legislação brasileira, ao aborto feito por médico, mas, para tal, poderá ou deverá requerer autorização do Juiz, através de advogado, desde que antes tenha ido á polícia, feito o exame de corpo de delito e conferindo a gravidez.
  • Lembre-se que, além da gravidez, há riscos de contrair doenças sexualmente transmissíveis, inclusive AIDS. Por isso, procure logo um médico.
  • Ser vítima de violência sexual pode, ainda, requerer acompanhamento psicológico, que poderá ajudá-la a enfrentar a situação.
A coisa é séria!
As estatísticas mostram um aumento cada vez maior no número de ocorrências registradas por crimes praticados contra as mulheres.
Ao longo dos últimos 10 anos a Delegacia de Proteção à Mulher, de Salvador, tem um aumento de área de 1,500% no número de registros, até o presente momento, da própria violência contra a mulher, mas, também sem dúvida alguma, a evidencia de uma maior procura, da mulher pela adoção de medida de proteção aos seus direitos e repressão aqueles que não os respeitam.
Informação!
O decreto n.º 33.038 de 28 de abril de 1986 – cria a Delegacia de Proteção à mulher, considerando a realidade Social do movimento que coloca a mulher como vítima constante e indefexi de vários tipos de violência a necessidade de o Poder Público reconhecer e enfrentar com realismo o problema e que a providencia mais adequada para atender a demanda é a instituição de uma delegacia, como fator de desinibição e estimulo a mulher vítima, contra a ceitação de violência.
Endereços de Órgãos e Instituições de Apoio à Mulher, em Salvador.
  • Pastoral Universitária, Praça da Sé n.º 1 Palácio Episcopal.
  • Patronato de Presos e Egressos, Av. Braúlio Xavier
  • Esentório Modelo, Faculdade de Direito da UCSAL.
  • Campos da Federação.



VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

A violência contra a mulher é um dado histórico cultural inegável não somente em nosso país, mas em diversos outros lugares do mundo.
Ao longo da existência, a mulher vem sendo subjugada nos seus sentimentos, pensamentos interesses e vontades. Passou séculos sendo obrigada a um comportamento que a violava no seu livre arbítrio, sempre a mercê de um de um comando machista e patriarcal, ditando as regras do jogo, sob a égide de um disfarçada falso moralismo.
Só que, a mulher vem vencendo vários obstáculos sociais, culturais, físicos e intelectuais, mostrando ao mundo uma incansável luta pôr seus direitos de cidadã e de ser humano. Mas o seu maior inimigo pode estar dormindo ao seu lado, comendo da mesma comida, vivendo sob o mesmo teto, fazendo-lhe filhos. Aquele que deveria compartilhar de suas vitórias na verdade ficou preso nos séculos passados, onde fazia impor suas vontades sem ser contestado e hoje, diante da queda do seu império só encontra uma fora de tentar se impor: o uso da força física da ameaça e do medo.
Mesmo violando leis e códigos, os homens ainda se acham no direito de dispor das mulheres e fazer justiça com as próprias mãos, em nome da legítima defesa de sua honra masculina que pensam incontestável. É preciso que o homem de hoje repense a sua masculinidade, diante da nova mulher que está ai, levantando a bandeira diante da nova mulher que esta ai, levantando a bandeira a respeito a sua dignidade, intelectualidade, integridade física e moral e ao seu valor como ser humano. Nessa luta, a mulher não se posiciona contra o homem, e sim contra o machismo irracional e absurdo, os abusos sexuais, a violência física e moral, o assédio sexual, a discriminação, venham eles de quem quer que seja.
A mulher deseja plantar o amor, o respeito e a harmonia que um mundo machista não tem competência para fazer, e que já atestou tal desqualificação.
Pela atual Constituição Federal, homens e mulheres possuem os mesmo direitos e obrigações, entretanto, no caso das mulheres, o respeito a esses direitos vem sendo desatendido, principalmente pêlos seus companheiros do dia a dia, ou pêlos "ex-companheiros", que pensam possuir direitos ad in perpetum sobre elas. Ademais, as mulheres acabam sendo vítimas, também, das "patologias sexuais", daqueles que se acham no direito de violentá-las assedia-las sexualmente.
Isso precisa acabar. É fundamentalmente importante denunciar os casos de violência contra a mulher, de qualquer ordem, e lutar para uma mudança na consciência do homem, criando-se, consequentemente, uma cultura mais civilizada.

Bela Mônica Luzia Costa de Azevedo
Delegada de Polícia – DPM
Delegacia de Proteção à Mulher – Salvador/Ba

Estatísticas de janeiro a setembro
Totais
Vias de fato3299
Ameaças
1247
Agressão Moral
496
Lesões Corporais827
Sedução0027
Estupro
0063
Difamação0065
Assédio Sexual
0029
Ocorrências
7486
Inquéritos Instaurados0034
Inquéritos remetidos0049
Termos Circunstanciados
0127
Assistência Social
0768

SERVIÇO SOCIAL
O Serviço Social pose ser considerado como parte intrínseca da dpm, pelo fato de analisar os casos das mulheres que procuram a Delegacia, em estado de desestruturação psicológica, avaliando que muitos desses casos são caráter social.
Além de cumprir esse papel pedagógico, tem pôr objetivo orientar, aconselhar e encaminhar no tratamento de problemas que não se constituem em crimes de natureza policial propriamente dita, porém cumprindo o seu papel preventivo.
Esse papel se estenderá não só a pessoa que procura a DPM mas também, a família, buscando a partir da queixa registrada, a história da convivência, o comportamento do agressor e principalmente os reflexos da situação de violência nos membros dessa família.
Daí a necessidade de buscar saídas viáveis para as problemáticas e para a quebra do circulo vicioso da violência doméstica, viabilizando a reestruturação das relações sociais no que se refere principalmente ao homem mulher.
Desta forma os procedentes metodológicos são: participação do assistente social no atendimento inicial à mulher que procura a DPM, onde será orientada a qual setor devera dirigir-se, a depender da problemática que se apresenta - plantão policial para registrar a queixa e posteriormente encaminhamento ao setor social para dar continuidade ao atendimento.
Esse atendimento será de orientação:
Problemática de família
Expulso do lar
Guarda de menores
Pensão alimentícia
Separação judicial
Encaminhamento:
Comissão de Mulheres da OAB
Defensoria Pública – Rua Pedro Lessa S/N Canela
Juizado de Menores
SOS Criança
DERCA - DEMAI Delegacias do Menor
COFAM – Orientação Psicológica
Alcoólatras Anônimos
Juizado da Infância e Adolescência

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

OBRIGADA WATANUKI

SOMENTE UM ARTISTA PODE TER UM OLHAR TÃO PROFUNDO E, TÃO FRÁGIL SOBRE A ARTE DOS OUTROS... ESSE CURTA DISPENSA COMENTÁRIOS...

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

A GAROTA DO TEMPO

É TEMPO DE FICAR CONSIGO
LER NO SILÊNCIO DA CASA
FAZER LONGAS CAMINHADAS COM OS CÃES PELA MANHÃ
COMER TORRADAS COM CAFÉ
FICAR ALGUM TEMPO EM FRENTE AO AQUÁRIO
VASCULHAR SUAS IDENTIDADES
SEUS GÊNEROS
SEUS GOSTOS
GOZAR DE SUA COMPANHIA
TOMAR BANHO DEPOIS DA CAMINHADA
ESCREVER SEM TEMPO NEM ESPECTADORES
PENSAR A DISTÂNCIA, A DURAÇÃO E OS INTERVALOS DA MEMÓRIA
VER COM OUTRAS LENTES
PERMITIR-SE SEM APARÊNCIA
CAMINHADA, PENSAMENTO E RESPIRAÇÃO
PARADA PARA ÁGUA
VENTO
SOL DA MANHÃ
O POUCO CONTROLE DA GUIA DOS CÃES
AGUÇA A NOVAS TENTATIVAS:
A GAROTA QUER CONTROLAR DESTINOS...
MAS NEM OS CÃES LHE OBEDECEM.

domingo, 1 de agosto de 2010

AUTO-CRÍTICA

QUANDO PENSAMOS QUE A ALIENAÇÃO É TOTAL E IRREVERSÍVEL... ALGO PARECE NOS FERIR COM A DESGRAÇADA ESPERANÇA POR UM MOMENTO DE REFLEXÃO, CRÍTICA E LUCIDEZ... SERÁ?????

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Presente Passado

ESSA MUSIQUINHA ME PERSEGUIU NO RECESSO...

FOUCAULT E A TEORIA QUEER



ENSAIO DE SPARGO SOBRE A TEORIA QUEER, UM NOVO OLHAR SOBRE A SEXUALIDADE QUE QUER SER A TODO MOMENTO ENQUADRADA EM MODELOS.
A BUSCA DA IDENTIDADE, NADA MAIS É QUE A LUTA DOS PODERES PARA QUE OS SABERES APREENDAM E FORMEM TUDO QUE DEVE SER COMPREENDIDO, DELIMITADO, ESQUARTEJADO PARA O CONTROLE DO CORPO.
A PRODUÇÃO DA SEXUALIDADE CULTURAL, DO ENQUADRAMENTO EM VERDADES QUE DEVEM SER FALADAS A TODO MOMENTO, ENTRE AS PESSOAS, PARA QUE POSSA PARECER NATURAL.
SOMOS SERES CULTURAIS EM TODAS AS AÇÕES, MAS HÁ UMA EXIGÊNCIA QUE OS GÊNEROS E SUAS RELAÇÕES SEJAM NATURALIZADAS EM PADRÕES ESPECÍFICOS: DO SAGRADO OU PROFANO, DO SÃO OU DOENTE, DO NORMAL OU ANORMAL... O MANIQUEÍSMO MAIS FÁCIL DAS ESCOLHAS... DAS APARÊNCIAS... DO SOCIAL.
O EXERCÍCIO DO PODER NA IMPOSIÇÃO DE UMA IDENTIDADE, UM RÓTULO, UM POSICIONAMENTO DO INDIVÍDUO SOBRE SUAS PRÁTICAS... PARA CONTROLE E CONTINUIDADE DA CIÊNCIA, DA VERDADE E NORMATIZAÇÃO DAS PRÁTICAS COTIDIANAS.
SOBREVIVÊNCIA DA ESPÉCIE OU DE SUA CULTURA?

O “Misto-quente” de Charles Bukowski





Quando fui convidada a ler Buk pela primeira vez, muito bem recomendada por um velho leitor, tive muita estranheza e uma tempestade de sensações demasiadamente humanas que assustam. Talvez isso tenha acontecido porque iniciei pelo meio, ou seja, o livro emprestado foi do Buk amadurecido e, pra quem tem certa reserva com a literatura americana, foi impactante. Mas, ao mesmo tempo, pra quem gosta de ler e de ser desafiada, a novidade foi um presente. Porém, precisava conhece-lo melhor e, na última feira de livros de Ribeirão Preto, comprei “MISTO-QUENTE” e, aproveitando o recesso escolar, experimentei esse romance tão lido e comentado... a história de Henry... o sentimento de não pertencimento... a sobrevivência sem sonhos... como em alguns trechos que deixo como aperitivo:

“E então veio. Que emoção! Ele sabia como escrever uma frase. Era um prazer. As palavras não eram tolas, as palavras eram coisas que podiam fazer sua mente zunir. Se você as lesse e deixasse que sua mágica operasse, era possível viver sem dor, sem esperança, independente do que pudesse lhe acontecer.” (166)

“Quando a verdade de outra pessoa fecha com a sua, e parece que aquilo foi escrito só pra você, é maravilhoso.” (167)

“Eu então não disse mais nada porque, quando você sente ódio, a última coisa que deseja é suplicar...” (168)

“Enquanto isso, os pobres e os fracassados e os idiotas continuam se agrupando ao meu redor.” (168)

“Era como um monte de bosta que atraía moscas em vez de ser flor desejada por borboletas e abelhas.” (169)

“E você pode perdoar um idiota, afinal ele sempre corre na mesma direção e não desaponta ninguém. São os enganadores que fazem você se sentir mal.” (175)

“São apenas bocetas – ele disse -, criaturas realmente estúpidas” (182)

“A terra inteira não era nada além de bocas e cus engolindo e cagando e fodendo.” (183)

OUTROS TRECHOS VIRÃO...

terça-feira, 27 de julho de 2010

METAMORFOSE URBANA


PARECIA UMA DAS FAZES LARGATAIS DAS BORBOLETAS OU JOANINHAS... TROCANDO PELE QUE NÃO LHE COMPORTA MAIS, TROCANDO DE ROUPA QUE SE IDENTIFICA MENOS... EM FRENTE AQUELE ESPELHO... QUANTO MAIS TIRAVA E COLOCAVA, MAIS FRÁGIL E IRRITADA FICAVA A PELE... MAIS VULNERÁVEL NAQUELE ESPAÇO REFLETIDO, REFLEXIVA... NÃO SE IDENTIFICAVA... ROUPAS E ACESSÓRIOS A LHE COBRIR O QUE TINHA DE MELHOR E PIOR... ADEREÇOS COM CORES E TEXTURAS QUE TIRAVAM SUA SENSIBILIDADE VISUAL... A OPINIÃO DAS PESSOAS A ENSURDECIAM... A SENSAÇÃO DE INCÔMODO AUMENTAVA A CADA TROCA... A CADA CORRER METÁLICO DO ABRIR E FECHAR DA CABINE... A CADA MEIA VOLTA... A CADA TORCIDA DE PESCOÇO PRA VER SE ESTAVA ASSENTADA... MEIO TONTA... FORÇADA NUMA CAMISA DE FORÇAS - ESCOLHER ROUPA NUNCA FOI SE FORTE... TÃO ACOSTUMADA A ROUPAS USADAS DOS PARENTES... USAVA O QUE POR ACIDENTE SERVIA OU O QUE A MÃE REFORMAVA - POR FIM, COMO QUE SAINDO DO OLHO DE UM FURACÃO, DEIXOU UMA MONTANHA NO CHÃO E, SOB OS OLHARES ODIOSOS DOS PRESENTES, SAIU DA HORRENDA CASA DE ESPELHOS COM SUAS SURRADAS INDUMENTÁRIAS.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

FINITUDE



Armaduras enferrujam,
Naus afundam,
Arcos se quebram,
Cordas arrebentam,
Pontes desabam,
Das cinzas não surgem Fênix,
Sapos são anfíbios,
A vida é uma invenção racional,
Sempre vence a maioria,
Os modelos prontos
dos pães embolorados,
por fora: belos menestréis. 

BRINQUEDO


Luísa é bailarina,
Brinca com as roupas e sapatos da mãe
Luísa é criativa,
Pinta e cola em portas paredes e móveis
Luísa é onírica,
Fala com o que se vê e com quem só ela vê
Luísa é criança,
Cria, dança, canta, fala e ri
Sem as travas que a imposição da identidade destrói
Luísa é sabor,
Doce, salgada, azeda, amarga, ardida
Luísa é sentidos,
Olhos radiantes, ouvidos curiosos, abraços de tamanduá, paladar de formiga
Luísa é temperamento,
Choro, riso, grito, emburramento, chantagem, abraços e folia
Luísa é luz... entra pelos poros... realiza minha fotossíntese.

JÁ NÃO ERA HORA?


Limpar os armários,
Limpar os e-mails,
Reorganizar os livros na estante,
Organizar os papéis em seus lugares...

Polir a prataria,
Polir os móveis,
Higienizar os cômodos,
Acomodar os hormônios...

Levar os animais ao veterinário,
Trocar a água do aquário,
Redefinir o quarto de despejo,
Despejar o lixo na segunda-feira...

Ir com a mangueira de cabo a rabo,
Usar alvejante de qualidade,
Desinfetar por fora,
Desintoxicar por dentro...

Educar os ouvidos para outros sons,
Policiar os olhos para ler o mundo cru,
Corrigir os atos falhos,
Aceitar um mundo empírico...

Estamos em recesso,
É uma pausa útil para o cuidado de si,
Momento de rever o que importa,
Já estava na hora...

DIA DE REIS


Viva a sagrada família cristã
Viva os falsos ateus
Viva os moralistas de butiquim
Viva os poetas de gaveta
Estamos em tempo de comemoração
Motivos não nos faltam

Quero os fogos de artifício
Com todos os artifícios pirotécnicos
Dos artífices pirados
Nas piras que incineram o index

A minha inteligência intelectual
Não combina com minha tolice afetiva
Pareço bipolar, patética e escolar...
Novas “modinhas” do psicologês

Viva as utopias e os ópios sociais
Viva as falsas rotinas
Viva os escritores virtuais
Viva os covardes da alcova
Estamos em tempo de comemoração
Motivos não nos faltam

domingo, 25 de julho de 2010

ESCALPO

ME DESPI DOS PELOS DAS AXILAS PRIMEIRO
O CHUVEIRO ABERTO
A ÁGUA MUITO QUENTE
ABAIXEI E FUI DEPILANDO A PARTIR DOS DEDOS DOS PÉS
AQUELES PEQUENOS PELOS SOBRE O PÉ E DEPOIS AS CANELAS
ESCORRIA A QUENTURA PELO REGO
EM SEGUIDA, FUI DESLIZANDO O APARELHO PELA COXA
FUI SUBINDO E LIMPEI A VIRILHA
A FUMAÇA DO CHUVEIRO
A ESPUMA DO SABONETE LÍQUIDO
TRANCADA NO BOX
O BARULHO DA ÁGUA
ME DESPI DOS PELOS
DA PLUMAGEM DA PRECHECA
DAS PROMESSAS DOS GRANDES LÁBIOS
DA ESPERA DA GRANDE TESTA FELPUDA 
LIMPEI A POMBA, O PÚBIS
DA TESTA LIMPEI O REGO
ME DESPI DOS PELOS
DAS BRUMAS DE MEDUSA
AS PLUMAS DE MEDÉIA
ESCORRERAM PELAS PERNAS
PARARAM NO RALO
AMONTOADOS EM DESALINHO
EU, LISA, ENROLADA NA TOALHA
OS PELOS, LINDAS POESIAS, SEM LICENÇA...

sábado, 24 de julho de 2010

FEIJOADA COMPLETA

QUERIDOS E QUERIDAS


CONFIRMADA NOSSA MAGNÍFICA FEIJOADA PARA COMEMORAR MINHA CHEGADA E ANIVERSÁRIO.... SÁBADO AS 20:00... EM MINHA CASA... ESPERO VOCÊ E SUA FAMÍLIA...
TRAZER O APETITE E A BEBIDA DE SUA PREFERÊNCIA....
QUALQUER PROBLEMA COM O ITINERÁRIO: ME LIGUE (rs)
BEIJOS E ATÉ BREVE...

Feijoada Completa

Chico Buarque

Mulher
Você vai gostar
Tô levando uns amigos pra conversar
Eles vão com uma fome que nem me contem
Eles vão com uma sede de anteontem
Salta cerveja estupidamente gelada prum batalhão
E vamos botar água no feijão
Mulher
Não vá se afobar
Não tem que pôr a mesa, nem dá lugar
Ponha os pratos no chão, e o chão tá posto
E prepare as lingüiças pro tiragosto
Uca, açúcar, cumbuca de gelo, limão
E vamos botar água no feijão
Mulher
Você vai fritar
Um montão de torresmo pra acompanhar
Arroz branco, farofa e a malagueta
A laranja-bahia ou da seleta
Joga o paio, carne seca, toucinho no caldeirão
E vamos botar água no feijão
Mulher
Depois de salgar
Faça um bom refogado, que é pra engrossar
Aproveite a gordura da frigideira
Pra melhor temperar a couve mineira
Diz que tá dura, pendura a fatura no nosso irmão
E vamos botar água no feijão

sexta-feira, 23 de julho de 2010

BOA VIAGEM?

ARRUMAR AS MALAS NA SEXTA
VIAJAR SÁBADO PELA MANHÃ
PORTA MALAS APERTADO
SACOLA DE ALIMENTOS NO ASSOALHO DO BANCO TRASEIRO
ESCUTANDO RENATO RUSSO EM ITALIANO "EQUILÍBRIO DISTANTE"
LENDO "MISTO QUENTE"
TODOS EM SEUS LUGARES:
PESSOAS, BAGAGENS, CDS, LIVROS
PASSAGENS COSTUMEIRAS, MESMAS CIDADES
POSTOS PARA ABASTECER O CARRO, O ESTÔMAGO
POSTOS PARA ESTICAR AS PERNAS E ALIVIAR AS NECESSIDADES EXCRETORAS
12 HORAS
BUNDA DORMENTE
CHEGADA... MUITA POEIRA
SAUDADES DOS ANIMAIS QUE FICARAM...
BANHO
JANTA
LEITURA
CONVERSA NO RABO DO FOGÃO DE LENHA:
PERFUMARIA
BOM DIA
INÍCIO DA RINITE ALÉRGICA
CORISA POR DOIS DIAS
CAFÉ DA MANHÃ
REDE
LEITURA: TERMINAR O BUK
ALMOÇO
INICIAR O ENSAIO DE SPARGO
INÍCIO DO FRIO
BANHO E O INÍCIO DA OTITE MÉDIA AGUDA
CATARRO POR 2 DIAS
A JANTA ESTAVA LEVEMENTE INSÍPIDA
CHUVA, CHUVA, CHUVA
PERDI O OLFATO
MEU NARIZ SE RECUSA A RESPIRAR:
INÍCIO DA LARINGITE E FARINGITE
CATARRO AMARELO
AS AMÍGDALAS DOEM MUITO... PERDI O PALADAR
INÍCIO DO FRIO
INSUPORTÁVEL FRIO
PASSEIOS, REFEIÇÕES E ASSUNTOS SEMPRE INODOROS E INSÍPIDOS
QUARTO DIA: CONJUNTIVITE NO OLHO DIREITO.
MUITA REMELA... PODE PIORAR?
E TOME CHÁ: ALFAVACA, NÓS MOSCADA, CRAVO, ERVA CIDREIRA, HORTELÃ....
E TOME INALAÇÃO: VICK VAPORUB, MENTA, PATA DE VACA...
MUITO FRIO
SEM ÁGUA FAZ 6 DIAS... O RIM FUDEU... SIM... PODE PIORAR!
CHÁ DE QUEBRA PEDRA... HORRÍVEL... MAS EFICAZ.
CATARRO VERDE
SEM CONSEGUIR ABRIR OS OLHOS DE DOR DE CABEÇA...
FICAMOS PRESOS NO SÍTIO 6 DIAS POR CAUSA DA CHUVA:
O CARRO NÃO SAI, MUITA LAMA, MUITO ÍNGREME... ESTAVA PODRE...
BOTECOS ABERTOS E FARMÁCIAS FECHADAS...
CIDADE PEQUENA... AVENTURA...
CORRENTE NOS PNEUS... HOSPITAL... PORTINHOLA SE ABRE...
2 INJEÇÕES OLEOSAS PARA DOR E SINUSITE... (AS DUAS DOEM MUITO)
COLÍRIO 4 X AO DIA 2 GOTAS (ARDE)
SORINE 2 X AO DIA 3 GOTAS EM CADA NARINA (SUFOCA)
ANTIBIÓTICO 1 VEZ AO DIA 2 COMPRIMIDOS (AMARGA)
ANALGÉSICO 1 DE 8 EM 8 HORAS (QUEIMA)
O FÍGADO AZEDOU... SOU PÉSSIMA PARA REMÉDIO ORAL... PREFIRO INJEÇÃO...
MUITO FRIO
5 COBERTORES
CASAS DE MADEIRA COM TELHA APARENTE
FRIO ENTRA NOS OSSOS
MAL ESTAR E DOR NA BUNDA...
REPOUSO E MUITA SOPA...
INÍCIO DA LEITURA DO GIDDENS
FIQUEI MAIS 2 DIAS SEM PALADAR
FIQUEI ALGUNS DIAS SEM BANHO
ANIVERSÁRIO: CUMPRIMENTOS MODESTOS
OUTROS COSTUMES
VIDA INSÍPIDA E INODORA
3 KG A MENOS
3 LEITURAS A MAIS
O RESTO SE DIVERTIU MUITO
COMERAM, BEBERAM, ENGORDARAM, BRINCARAM... FUI O PARA-RAIOS DA VIAGEM...
O RETORNO FOI IDÊNTICO... SÓ MUDEI O CD PARA SECOS E MOLHADOS E O LIVRO PARA O DIA DO CORINGA (COMPREI)... AINDA NÃO TERMINEI... TROUXE MUITAS MUDAS DE FLORES... E UMA VONTADE ENORME QUE AS COISAS SAREM....
E VOCÊ AINDA DESEJOU BOA VIAGEM...
IMAGINE SE NÃO TIVESSE?
PARECE ATÉ TITÃS... RS

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Promessas


Prometi não te olhar... não cumpri.
Prometi não te ler... não cumpri.
Prometi não sonhar mais contigo... não cumpri.
Prometi não ter saudades... não cumpri.
Acho melhor parar de prometer... já que são verbos intransigentes.

sábado, 10 de julho de 2010

Medo de dormir

Ver imagem em tamanho grande
Ontem sonhei contigo
Estávamos na beira de um rio
Molhando os pés
Conversando
Afundando os dedos em suas bordas macias de terra argilosa
Rindo
Isolados pelo sonho e pela vegetação
Ontem sonhei contigo
E o cheiro do ar era agradável
Estava usando um chapéu panamá
Nos aproximávamos
Estava ventando
Houve o beijo
Sua saliva era doce
Sua língua era quente
Ontem sonhei contigo
E ao levar a mão pra te abraçar
E o vento levou seu chapéu
Tentei pegá-lo
E a correnteza arrastou seu chapéu
Com uma velocidade impressionante
E você desistiu do seu chapéu,
parou no meio do caminho
E eu não consegui alcançar seu chapéu,
corri até que ele caiu uma cachoeira
Ontem sonhei contigo
E ofegante ao voltar da busca pelo seu chapéu
Não estava mais a minha espera
Culpa minha: não devia ter derrubado o seu chapéu
Estava eu sem o seu chapéu
Sem você e
Sem ar
Hoje não quero sonhar contigo
Por isso não quero dormir
Não posso dormir
Não devo dormir
Porque não quero mais te perder em meus sonhos
Não quero mais correr atrás das forças do universo
Que conspiram contra mim dormindo ou acordada
Não quero acordar com o sabor da sua saliva na minha boca
Pela manhã seca de inverno
Como aconteceu em mais esta noite que sonhei contigo.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Momento Florbela


Noivado Estranho

O luar branco, um riso de Jesus,
Inunda a minha rua toda inteira,
E a Noite é uma flor de laranjeira
A sacudir as pétalas de luz…

A luar é uma lenda de balada
Das que avozinhas contam à lareira,
E a Noite é uma flor de laranjeira
Que jaz na minha rua desfolhada…

O Luar vem cansado, vem de longe,
Vem casar-se co´a Terra, a feiticeira
Que enlouqueceu d´amor o pobre monge…

O luar empalidece de cansado…
E a noite é uma flor de laranjeira
A perfumar o místico noivado!…

Florbela Espanca - Trocando olhares
ares - 30/04/1917