sábado, 11 de setembro de 2010

A FOME DE MARINA SILVA



























A FOME DE MARINA
Por José Ribamar Bessa Freire* 

Há pouco, Caetano Veloso descartou do seu horizonte eleitoral o presidente Lula da Silva, justificando: “Lula é analfabeto”. Por isso, o cantor baiano aderiu à candidatura da senadora Marina da Silva, que tem diploma universitário. Agora, vem a roqueira Rita Lee dizendo que nem assim vota em Marina para presidente, “porque ela tem cara de quem está com fome”.
Os Silva não têm saída: se correr o Caetano pega, se ficar a Rita come.
Tais declarações são espantosas, porque foram feitas não por pistoleiros truculentos, mas por dois artistas refinados, sensíveis e contestadores, cujas músicas nos embalam e nos ajudam a compreender a aventura da existência humana.
Num país dominado durante cinco séculos por bacharéis cevados, roliços e enxudiosos, eles naturalizaram o canudo de papel e a banha como requisitos indispensáveis ao exercício de governar, para o qual os Silva, por serem iletrados e subnutridos, estariam despreparados.
Caetano Veloso e Rita Lee foram levianos, deselegantes e preconceituosos. Ofenderam o povo brasileiro, que abriga, afinal, uma multidão de silvas famélicos e desescolarizados.
De um lado, reforçam a ideia burra e cartorial de que o saber só existe se for sacramentado pela escola e que tal saber é condição sine qua non para o exercício do poder. De outro, pecam querendo nos fazer acreditar que quem está com fome carece de qualidades para o exercício da representação política.
A rainha do rock, debochada, irreverente e crítica, a quem todos admiramos, dessa vez pisou na bola. Feio.“Venenosa! Êh êh êh êh êh!/ Erva venenosa, êh êh êh êh êh!/ É pior do que cobra cascavel/ O seu veneno é cruel…/ Deus do céu!/ Como ela é maldosa!”.
Nenhum dos dois - nem Caetano, nem Rita - têm tutano para entender esse Brasil profundo que os silvas representam.
A senadora Marina da Silva tem mesmo cara de quem está com fome? Ou se trata de um preconceito da roqueira, que só vê desnutrição ali onde nós vemos uma beleza frágil e sofrida de Frida Kahlo, com seu cabelo amarrado em um coque, seus vestidos longos e seu inevitável xale? Talvez Rita Lee tenha razão em ver fome na cara de Marina, mas se trata de uma fome plural, cuja geografia precisa ser delineada. Se for fome, é fome de quê?
O mapa da fome
A primeira fome de Marina é, efetivamente, fome de comida, fome que roeu sua infância de menina seringueira, quando comeu a macaxeira que o capiroto ralou. Traz em seu rosto as marcas da pobreza, de uma fome crônica que nasceu com ela na colocação de Breu Velho, dentro do Seringal Bagaço, no Acre.
Órfã da mãe ainda menina, acordava de madrugada, andava quilômetros para cortar seringa, fazia roça, remava, carregava água, pescava e até caçava. Três de seus irmãos não aguentaram e acabaram aumentando o alto índice de mortalidade infantil.
Com seus 53 quilos atuais, a segunda fome de Marina é dos alimentos que, mesmo agora, com salário de senadora, não pode usufruir: carne vermelha, frutos do mar, lactose, condimentos e uma longa lista de uma rigorosa dieta prescrita pelos médicos, em razão de doenças contraídas quando cortava seringa no meio da floresta. Aos seis anos, ela teve o sangue contaminado por mercúrio. Contraiu cinco malárias, três hepatites e uma leishmaniose.
A fome de conhecimentos é a terceira fome de Marina. Não havia escolas no seringal. Ela adquiriu os saberes da floresta através da experiência e do mundo mágico da oralidade. Quando contraiu hepatite, aos 16 anos, foi para a cidade em busca de tratamento médico e aí mitigou o apetite por novos saberes nas aulas do Mobral e no curso de Educação Integrada, onde aprendeu a ler e escrever.
Fez os supletivos de 1º e 2º graus e depois o vestibular para o Curso de História da Universidade Federal do Acre, trabalhando como empregada doméstica, lavando roupa, cozinhando, faxinando.
Fome e sede de justiça: essa é sua quarta fome. Para saciá-la, militou nas Comunidades Eclesiais de Base, na associação de moradores de seu bairro, no movimento estudantil e sindical. Junto com Chico Mendes, fundou a CUT no Acre e depois ajudou a construir o PT.
Exerceu dois mandatos de vereadora em Rio Branco , quando devolveu o dinheiro das mordomias legais, mas escandalosas, forçando os demais vereadores a fazerem o mesmo. Elegeu-se deputada estadual e depois senadora, também por dois mandatos, defendendo os índios, os trabalhadores rurais e os povos da floresta.
Quem viveu da floresta, não quer que a floresta morra. A cidadania ambiental faz parte da sua quinta fome. Ministra do Meio Ambiente, ela criou o Serviço Florestal Brasileiro e o Fundo de Desenvolvimento para gerir as florestas e estimular o manejo florestal.
Combateu, através do Ibama, as atividades predatórias. Reduziu, em três anos, o desmatamento da Amazônia de 57%, com a apreensão de um milhão de metros cúbicos de madeira, prisão de mais 700 criminosos ambientais, desmonte de mais de 1,5 mil empresas ilegais e inibição de 37 mil propriedades de grilagem.
Tudo vira bosta 
Esse é o retrato das fomes de Marina da Silva que - na voz de Rita Lee - a descredencia para o exercício da presidência da República porque, no frigir dos ovos, “o ovo frito, o caviar e o cozido/ a buchada e o cabrito/ o cinzento e o colorido/ a ditadura e o oprimido/ o prometido e não cumprido/ e o programa do partido: tudo vira bosta”.
Lendo a declaração da roqueira, é o caso de devolver-lhe a letra de outra música - ‘Se Manca’ - dizendo a ela: “Nem sou Lacan/ pra te botar no divã/ e ouvir sua merda/ Se manca, neném!/ Gente mala a gente trata com desdém/ Se manca, neném/ Não vem se achando bacana/ você é babaca”.
Rita Lee é babaca? Claro que não, mas certamente cometeu uma babaquice. Numa de suas músicas - ‘Você vem’ - ela faz autocrítica antecipada, confessando: “Não entendo de política/ Juro que o Brasil não é mais chanchada/ Você vem… e faz piada”. Como ela é mutante, esperamos que faça um gesto grandioso, um pedido de desculpas dirigido ao povo brasileiro, cantando: “Desculpe o auê/ Eu não queria magoar você”.
A mesma bala do preconceito disparada contra Marina atingiu também a ministra Dilma Rousseff, em quem Rita Lee também não vota porque, “ela tem cara de professora de matemática e mete medo”. Ah, Rita Lee conseguiu o milagre de tornar a ministra Dilma menos antipática! Não usaria essa imagem, se tivesse aprendido elevar uma fração a uma potência, em Manaus, com a professora Mercedes Ponce de Leão, tão fofinha, ou com a nega Nathércia Menezes, tão altaneira.
Deixa ver se eu entendi direito: Marina não serve porque tem cara de fome. Dilma, porque mete mais medo que um exército de logaritmos, catetos, hipotenusas, senos e co-senos. Serra, todos nós sabemos, tem cara de vampiro. Sobra quem?
Se for para votar em quem tem cara de quem comeu (e gostou), vamos ressuscitar, então, Paulo Salim Maluf ou Collor de Mello, que exalam saúde por todos os dentes. Ou o Sarney, untuoso, com sua cara de ratazana bigoduda. Por que não chamar o José Roberto Arruda, dono de um apetite voraz e de cuecões multi-bolsos? Como diriam os franceses, “il péte de santé”.
O banqueiro Daniel Dantas, bem escanhoado e já desalgemado, tem cara de quem se alimenta bem. Essa é a elite bem nutrida do Brasil…
Rita Lee não se enganou: Marina tem a cara de fome do Brasil, mas isso não é motivo para deixar de votar nela, porque essa é também a cara da resistência, da luta da inteligência contra a brutalidade, do milagre da sobrevivência, o que lhe dá autoridade e a credencia para o exercício de liderança em nosso país.


(*)José Ribamar Bessa Freire, professor, coordena o Programa de Estudos dos Povos Indígenas (UERJ) e pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Memória Social (UNIRIO) 

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Lágrimas de crocodilo




Era uma vez uma menina que não queria voltar de OZ, nem do País das Maravilhas, nem da Ilha do dia Anterior, nem da Terra do Nunca, nem do Guarda Roupa do reino do Leão... não queria ser real...
Mas em um de seus momentos oníricos encontrou com um sorriso de crocodilo... que ao se aproximar... muito muito perto... Começou a chorar... e a menina, em sua inocência consciente (pois sabia que era só sonho) perguntou:
- Por que choras? – com uma doçura excessiva.
- Porque é da minha natureza devora-la... (justificou) não posso evitar... mesmo que seus ossos machuquem o céu de minha boca... pressionando minha glândula lacrimal... devo cumprir o meu instinto...
Neste momento, para seu espanto a menina sentou-se em sua frente e esperou... ah! Era sonho, vinha em sua mente... de tantos que se repetem sem ferir... seu corpo...
O crocodilo, um tanto desconfiado, como é característico dos répteis que vivem se camuflando, começou a cheirá-la, e, vagarosamente morder seus dedos do pé... dando a ela uma sensação estranha... uma aflição interna...
- Tudo bem... são somente pés... eu posso viver sem eles aqui... posso flutuar... (tranquilizou-se), aqui eu posso tudo... é só um sonho...
Mas o sabor de seus pequenos dedos e pés só aguçou a fome do carnívoro... puxando-a com força... a fez deitar-se na grama molhada de orvalho... num gesto de reflexo a esse solavanco, ela segurou com força nas raízes... mas não queria evitar... mesmo que a situação não fosse mais tão confortável...
As lágrimas do animal se intensificaram e refletiam o luar escancarada no céu... a noite ia ficando cada vez mais clara e os dias cada vez mais soturno... acompanhava-as também uma brisa que vinha da lagoa de aguapés e taboas brincalhonas, fazendo-a iniciar um leve tremor... seus mamilos se intumesceram... nesse momento já estava sem pernas... como se fizesse diferença... já que em sonhos costumamos correr sem nos locomovermos no espaço... pernas de barata tonta... que não permitem que se vá muito longe, nem chegue muito perto... pernas estéreis e carregadas de heteronomia. Continuou sua antropofagia pelos braços... sem abraços... sem habilidades... sem liberdade... braços fornicadores... formigando a cada mordida...
Seus olhos estavam cada vez mais distantes daquele banquete, fixos nas lágrimas, no seu brilho, no seu fluxo, na falta de expressão do resto do corpo desengonçado do crocodilo... lágrimas são purificadoras, não pra ele... e mesmo sendo o prato principal... sentimentos misturados lhe viam... medo, dor, ressentimento, apego, desprezo, indiferença, entrega, era quem lhe queria no momento... o crocodilo e suas lágrimas naturais e frias... sem crueldade... sem a culpa dos hipócritas... apenas lágrimas. Contornou-a entregue ao tapete úmido que cercava a lagoa e, fazendo-a espremer seus olhos até arder... estilhaçou sua buceta... ingerindo seu sugo vaginal e intestinal de modo cada vez mais selvagem... o crocodilo queria logo acabar com aquele banquete... provavelmente tinha outras meninas a sua espera em outros sonhos (imaginou uma fila de meninas aos moldes de dominó e cartas de baralho, uma após a outra, num distanciamento cuidadoso, para que uma não toque a outra antes da hora de serem tombadas e o jogo ser reiniciado de outra forma)... parecia ter pressa... esquivando de seus olhos abismos...  mal aproveitou suas mamas, apesar da aparência de manga suculenta (queria carne, e essa estava se tornando um fardo)... foram trituradas em duas bocadas junto com o coração (que já carregava um prolapso da válvula mitral) e o pulmão (com brônquios comprometidos pela asma)... não se via sangue... tudo era sugado para não deixar vestígios de caça, assustaria outras presas... sua cabeça, agora de lado, numa expressão Dali, fitou os olhos do crocodilo pela última vez... antes ouviu-o exausto grunhir...
- Vou devorar a parte que mais presa, seus depósito de tolices que chamas de realidade, seu reservatório de sandices que chamas de sonho, sua caixa de armadilhas que chamas de sentimentos. Vou fazer um favor pra ti menina, um favor que apenas os grandes fazem... livra-la de si mesma... de suas invencionices... de suas cismas... de seus mimos... e acorda-la para a morte do dionisíaco... vamos matar essa maldito Baco, já que não foi possível descredibilizá-lo ou desmitificá-lo dessa sua demência.
Dito isso... mordeu sua cabeça pelos cabelos da nuca... eram muito lisos e quase escaparam de seus dentes... quando conseguiu prender a cabeça e rachar seu crânio... os olhos lhe saltaram da face... rodavam e giravam independentes e bailando seu negro profundo, contrastando com o verde... pararam vesgos frente a fera de dentes serrados... que com desdém, como se tivesse concluído sua messe... foi afastando-se de ré para o lago... deixaria aqueles olhos ali... para murcharem com o sol, ressecando-se enquanto as lágrimas do crocodilo secam em sua face em mosaico de pedra... figura pré-histórica... sob os olhos agora sem histórias. (a menina, cega, acorda e procura uma bengala para um novo dia).



Salvador Dalí
Study for the Dream Sequence in Spellbound  1945
© Salvador Dalí. Fundación Gala-Salvador Dalí, DACS, 2007
Oil on panel

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

CONVERSAS DA MADRUGADA

- ONDE VOCÊ ESTÁ?
- AQUI.
- ACORDADA A ESSA HORA... DUVIDO.
- SEM SONO, BOCA SECA, FALTA DE AR... O CLIMA.
- NO QUE VOCÊ ESTÁ PENSANDO?
- POR QUÊ?
- COM ESSES OLHOS ABERTOS NO NADA... (ALGUM SILÊNCIO) NÃO VAI ME DIZER?
- ESTOU COM SEDE.
- AONDE VAI?
- BUSCAR ÁGUA. (RESPIRA FUNDO)
- ESTÁ SEM SONO POR ALGUM MOTIVO?
- O MALDITO RIM.
- TRAZ ÁGUA PRA MIM?
- PRONTO... (ENTREGA-LHE O COMO MEIO CHEIO)
- OBRIGADO.
- POR QUE ESSA CARA?
- ESTOU PREOCUPADO COM VOCÊ.
- ESTOU BEM... (SEU SEMBLANTE É TRISTE)
- POSSO ACEITAR SEU LADO B, MAS....
- DE NOVO ESSA HISTÓRIA... É TARDE...
- VOCÊ RECLAMA QUE EU NÃO FALO... DEIXA EU FALAR AGORA....
- TUDO BEM... (RESPIRAÇÃO OFEGANTE COM PRESSENTIMENTOS RUINS)
- POSSO ATÉ ACEITAR... POSSO SIM... SÓ NÃO CONSIGO ACEITAR NÃO PARTICIPAR DELE.
(ELA RESOLVE LEVANTAR E TOMAR UM BANHO, ELE VAI ATRÁS E SENTA NO VASO)
- TER QUE FICAR DE FORA, ESPERANDO VOCÊ VOLTAR DESSAS VIAGENS ESPAÇO/TEMPORAIS... E PEGAR O QUE SOBRA, O BAGAÇO... VOCÊ EM FRANGALHOS. A FULIGEM DA QUEIMA. A CINZA DA BRASA. O MELHOR PARECE TER DEIXADO EM OUTRO LUGAR, ONDE É MAIS FELIZ... ONDE PARECE QUE EXISTE COMO É... ONDE SE REALIZA...
(ELA SAI DO BANHO E FICA ENROLADA NO ROUPÃO VAI PARA O QUARTO E FICA NO CANTO ESQUERDO DA CABECEIRA DA CAMA, ACUADA E INOCENTE COMO UM BICHO. ELE A SEGUE E SE ESTENDE NOS PÉS DA CAMA FINGINDO DESCONTRAÇÃO)
- É A PARTE QUE TE CABE DESSE LATIFÚNDIO... NÃO ESCOLHI SER ASSIM... SER QUEM SOU OU COMO SOU É UM FARDO MUITO PESADO PRA MIM.
- NÃO TENHO SUAS SENHAS...
- NÃO PRECISAS DELAS... ESTOU AQUI.
- VOCÊ SABE TODAS AS MINHAS, TUDO DE MIM, NÃO ESCONDO NADA...
- FOI UMA DECISÃO SUA, NUNCA COBREI NADA... E TUDO É UMA EXPRESSÃO MUITO FORTE. VOCÊ TAMBÉM TEM SEUS MOMENTOS DE INTROSPECÇÃO, SEU LADO B... SEUS DESEJOS, SEU PASSADO... E EU NÃO OS FICO ESGRAVATANDO...
- SIM, MAS SEI O QUE É UM E O QUE É O OUTRO... E PREFIRO A NOSSA VIDA... O RESTO É FANTASIA... COISAS PASSAGEIRAS E ATÉ BOBAS...
- EU TAMBÉM SEI.
- NÃO SEI SE ISSO É TÃO CLARO ASSIM PRA VOCÊ, POR ISSO TEMO POR VOCÊ... PARECE DOENTE... JÁ NÃO SABE DISTINGUIR UM LADO DO OUTRO. NÃO VIAJAMOS MAIS SEM SUAS MÚSICAS, LIVROS E BLOCOS DE ANOTAÇÕES QUE A AFASTA DE NOSSA PRESENÇA, NÃO ESTÁ CONOSCO VENDO AS MESMAS COISAS. SEUS OLHOS NÃO SÃO MAIS AQUELES QUE OLHAVAM E VIAM O QUE OLHAVAM... ELES ESTÃO CADA DIA MAIS CEGOS PRA FORA... VIRADOS PRA DENTRO...
- NUNCA VIMOS A MESMA COISA, POR QUE O DISCURSO DRAMÁTICO, NINGUÉM VÊ A MESMAS COISA COM OS MESMOS OLHOS, CADA UM VÊ O QUE QUER OU APRENDEU A VER E....
- NÃO PRECISA ENTRAR NESSA FILOSOFIA, ME ENROLAR COM ESSA LADAINHA... DISTANCIANDO-SE DO RUMO DA  CONVERSA....
- NÃO É UM DIÁLOGO?
- É ... E CONCORDO QUANDO DIZ QUE CADA UM TEM UM JEITO DE VER, MAS VOCÊ NÃO VÊ NADA AQUI FORA DE SI, VIAJAMOS MAIS DE 10 HORAS E ESTÁ SEMPRE EM SI, NÃO VÊ A PAISAGEM... NÃO REPARA NOS QUE ESTÃO EM SUA COMPANHIA... NEM CONSEGUE SE VER... FICA RINDO SOZINHA COMO UMA LOUCA... EM HISTORINHAS DE TERCEIROS OU MUITO PARTICULARES.
- ACHA QUE SOU LOUCA?
- NÃO SEI SE É OU ESTÁ, MAS ACREDITO QUE TEM PIORADO JÁ HÁ ALGUM TEMPO EM SUA RELAÇÃO COM O MUNDO REAL... TEM-NO EVITADO... COMO SE O NEGASSE COMPULSIVAMENTE...
- LEMBRO-ME DOS MEUS IRMÃOS RINDO EM MINHAS COSTAS QUANDO ME PEGAVAM FALANDO "SOZINHA" EM MEUS DIÁLOGOS COM MEUS PERSONAGENS...
- TAMBÉM JÁ PEGUEI VOCÊ FALANDO SOZINHA...
- E ACHOU GRAÇA?
- A PRINCÍPIO, ESTRANHEI, POIS PENSEI QUE ISSO FOSSE COISA DE CRIANÇA... AMIGOS IMAGINÁRIOS... MAS AGORA...
- AGORA?...
- NÃO SEI... TINHA ATÉ ME ACOSTUMADO... TINHA SUA GRAÇA... MAS PEGUEI CERTA IMPLICÂNCIA... COMO TENS DO BARULHO QUE FAÇO PARA TOMAR SOPA....
- CIÚMES???
- TALVEZ... MAS NÃO DOS PENSAMENTOS... APENAS DA AUSÊNCIA... TALVEZ.
- DO QUÊ??
- NÃO ENTENDO... NÃO CONSIGO EXPLICAR...
- O QUÊ?
- COMO ALGUÉM PODE DAR MAIS IMPORTÂNCIA AQUILO QUE NÃO EXISTE.
- E NÃO EXISTE?
- DESISTO.....
(ELE LEVANTA-SE EXAUSTO PARA PREPARAR O CAFÉ... 6:00, HORA DE INICIAR SUA ROTINA, ELA VIRA  DE BRUÇOS PARA UM ÚLTIMO COCHILO, SUA TERAPIA É DEPOIS DAS 10:00, AINDA PODE SONHAR)
SÃO COMO INSETOS... NA REPUGNÂNCIA NECESSÁRIA DA EXISTÊNCIA DE UM PARA O OUTRO.

VOLTAR ATRÁS DO TEMPO PERDIDO...


MARCEL PROUST (EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO VOL I - UM AMOR DE SWANN), LOUCO PARA TENTAR ENTENDER O TEMPO PERDIDO, TEMPO QUE É ANALISADO POR BERGSON (UM DOS QUE CONSEGUEM EXPLICAR O TEMPO E A DURAÇÃO DE MODO SURPREENDENTE NAQUILO QUE É) RESSALTA O QUANTO SE RESSENTE POR NÃO TER SENTIDO COM PROFUNDIDADE OS MOMENTOS QUE VOLTAM ÀS SUAS LEMBRANÇAS, COMO NUM DEJAVÚ SABOROSO COM GOSTO DA CERVEJA EM SUA BOCA... A MANDIOCA, O TORRESMO E A CROCÂNCIA DO TORRESMO (SOM, CHEIRO, SABOR, TEXTURA), O TOM DA SUA VOZ, AS CONVERSAS E RISADAS, OS OLHARES E AS PAUSAS PARA MAIS UM PEDIDO AO GARÇOM (OUTRA CERVEJA, POR FAVOR)... A COR DA NOITE, O CHEIRO DA RUA, AS MESAS AO LADO E, AO LEMBRAR, REVIVER TUDO NOVAMENTE... VIVER... É ASSIM  QUE O TEMPO DURA, PELA MEMÓRIA VIVA DA EXISTÊNCIA DE MOMENTOS QUE FAZEM SENTIDO... FAZENDO ESSE EXERCÍCIO DIARIAMENTE... ACORDA COM RESSACA FÍSICA E MORAL... VICIADO EM VIVER PARA LEMBRAR... ENFEITANDO O REAL... INTRODUZINDO COISAS QUE ACONTECERAM AQUELAS QUE JAMAIS ACORRERÃO, TORNANDO A VIDA DE AGORA REMENDOS DE VIDAS QUE FICARAM EM PORTAS FECHADAS... SENDO MAIS PASSADO QUE PRESENTE... SENDO AQUILO QUE JÁ FOI... FORMADOS PELA INEXISTÊNCIA... SEGUROS PELA FRÁGIL LINHA DO AGORA... ENQUANTO TUDO SE ESVAI... ESCORRENDO PELOS DEDOS... ESSE MALDITO TEMPO QUE NÃO É APRISIONADO EM SUA PLENITUDE... APENAS EM FLECHES... ESTAMOS COMO RESULTADOS DA DURAÇÃO DESSES FRAGMENTOS.

NOVIDADES???


MEUS LEBISTES NASCERAM NA INCUBADORA
NADANDO E COMENDO COM INDEPENDÊNCIA
MINHAS PLATI E ESPADA ESTÃO NA FILA DA MATERNIDADE
ANGUSTIADAS
MEU AQUÁRIO ESTÁ SUPER POVOADO
COMO MINHA CABEÇA
NÃO ADIANTA SAIR DOS LUGARES
QUANDO NÃO CONSEGUIMOS FAZER FAXINAS EM NÓS MESMOS
TIRAR SANGUESSUGAS QUE NOS ESGOTAM
DANDO AOS NOSSOS SONHOS
PERSONAGENS REPETIDOS
FEBRES E TREMORES.
SEMPRE FUI ESPECIALISTA EM SAIR DE LUGARES
COMO UM Houdini,
MAS NUNCA CONSEGUI SAIR DE MIM E DOS BURACOS NEGROS DE DENTRO DO MEU AQUÁRIO IMAGINÁRIO, FÉRTIL E INDEPENDENTE DA MINHA RAZÃO.
LOGO VOLTAREI A ROTINA DOS DIAS CORRIDOS
ESTAREI ENTRE AQUELES QUE TORNAM MINHA VIDA ENFADONHA, LUTAREI COM APOLOS DE CELULOSE... RESTOS A SE APROVEITAR... COMO TIROS DE MISERICÓRDIA
ESCANCARANDO A MISÉRIA... A FALTA DE MEMÓRIA... O REMORSO DE TODOS SEREM AQUILO QUE SÃO: CANDIDATOS INEVITÁVEIS A MORTE A AO ESQUECIMENTO, MESMO SENDO DEUSES... HERÓIS OU ... REPRODUTORES DAS CÓPIAS PLATÔNICAS (FALSÁRIOS).

OS CUIDADOS COM A INTIMIDADE

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sábado, 4 de setembro de 2010

MOMENTO DRUMMOND

"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade".

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

A MENINA E A MOSCA (Terceira parte)





Naquele dia estava muito animada... tinha começado o ano letivo e seus nove anos lhe mostravam uma escola como uma porta para a existência... ia começar numa escola nova, numa cidade nova gigante (para quem veio do sítio tudo que vivenciava era gigantesco).
Usava o cabelo Joãozinho... roia as unhas... tomava açúcar com água (viciada em glicose) todos os dias ... suas obrigações era lavar 18 chinelos e enxugar a “louça” do almoço e da janta... depois... brincar com os objetos que a antroposfera ou a natureza lhe ofereciam... adorava brincar com restos de trapos, bonecas de sabugo, fazer "comidinhas" com latas de massa de tomate elefante (vários tamanhos)... era feliz na sua inocência cercada de perebas, piolhos e ... moscas...
Seu contato com esse inseto vem de muito tempo... as moscas a lambiam quando estava lidando com os porcos, empoleirando as galinhas ou se equilibrando no mictório, eram presenças constantes na lida da roça...
Sua mãe fazia sabão com as vísceras dos animais e soda... e com ele se lavava tudo e todos, porém ele deixava um leve odor de ranço no corpo...isso espantava os pernilongos mas atraía as moscas... e elas a rondavam, observavam, flertavam com ela, mesmo sem ela saber... num amor platônico.
Naquela dia, enfim, chagada da escola suada, já num azedume nas dobras, anunciando a puberdade, ela colocou o embornal com seu material doado pela “caixa escolar” (atualmente chamada de APM) numa cômoda que ficava no quarto das meninas, entre as duas beliches, tirou o uniforme (um guarda pó “branco” com um emblema da escola no bolso e sua saia  plissada azul marinho) colocou-os na segunda gaveta, cada um tinha uma gaveta, era o suficiente para tudo o que possuíam, sua calcinha estava com elástico solto em uma das pernas, o que facilitava seu vício vespertino, colocou sobre seu pequeno corpo, um vestido de malha xadrez com duas margaridas enormes na faixa da cintura branca, tinha sido das duas irmãs mais velhas, agora era seu. Estava gelado e com leve odor de naftalina, que contrastava com seu odor de barata das axilas... era assim, um inseto que atraía moscas.
Pensou em sentar no colchão de palha para iniciar suas intermináveis devaneios, cheio de personagens, lugares e diálogos que certamente nunca aconteceriam... era assim, uma ninfa dos sonhos.
Mas achou melhor iniciar suas tarefas antes que o irmão mais velho chegasse e enchesse sua cabeça com croques. Correu para cozinha, fez seu grosso copo de açúcar com água e engoliu rapidamente para ninguém ver, era assim, em geral fazia as coisas à surdina... 
Depois enxugou a louça do almoço, sem almoçar, era magra e amarelada, combinava em tom com seu vestido de grandes margaridas sorridentes...vestido brega, nas cores ou modelos, eram roupas doadas por estranhos ou reaproveitada dos irmãos, e a larga faixa branca no meio dava um aspecto muito infantil, dividindo-a ao meio... era assim, sempre fragmentada... aos pedaços... em migalhas... migalhas para moscas...
Terminou suas obrigações domésticas e dirigiu-se ao portão... precisava de diversão... procurou seu saco de retalhos debaixo do frondoso pé de primavera vermelhas, muita sombra, sempre florido, gostava de amassar as folhas para brincar de "comidinha", eram tenras e soltavam um verde intenso para pintar suas folhas de caderno... seus cadernos eram sempre enfeitados com borboletas, folhas e flores que encontrava pelo caminho de volta da escola... era assim, uma guardadora de coisas mortas, adoradora do passado.
Enquanto brincava com suas bonecas de sabugo viu sua amiga Aline encostar-se do lado de fora do portão, chegavam da escola no mesmo horário mas a vizinha  sempre assistia TV antes do pai voltar pro trabalho, ele não gostava que ela ficasse na rua, mas era só ele virar a esquina que ela corria pro meu portão, exibia algum brinquedo novo, doce ou revista que conseguia surrupiar de um familiar... neste dia era uma coxinha de frango frita que trazia em uma das mão, com a outra, abriu o portão sem grandes dificuldades... era assim, estavam sempre trocando delicadezas, estavam embriagadas com as descobertas, curiosas e arteiras... 
Então, decidiram brincar no corredor da casa de cima, pois os moradores trabalhavam e o pequeno portão enferrujado ficava aberto para leitura da água... era onde se refugiavam dos olhares de todos... podiam inventar histórias, tornarem-se marido e mulher, namorados, amantes... eram assim, não conseguiam evitar aquele mar de novidades empíricas.
Elaine gostava de ser o gênero masculino, era mais velha e determinava os acontecimentos, 12 e 9 anos, relação de poder (era dona de bonecas lindas), relação de saber (já tinha visto muitas revistas impróprias pra idade por descuido dos primos), relação de corpo (cabelo chanel muito liso e de um castanho mel cheiroso, era esguia, macia e muito branca), já tinha algumas penugens e gostava de chupar, lamber e esfregar o corpo como uma mosca no melado... chegava sempre cansada do "trabalho" e queria carinho da menina/esposa... passavam horas nessa histeria lúdica... nuas no fundo do quintal, sobre pneus, tapetes velhos ou cadeiras de varanda, buscavam um posição que fosse confortável e que seus clitóris se tocassem... o cheiro de Guiné era forte... entravam em transe... riam e salivavam em seus beijos de língua... não era pecado... não era feio... não era sujo.... era assim, duas meninas felizes brincando de casinha.
Aquela tarde estava muito quente, fevereiro, abafado e úmido, muitas moscas rondavam a menina, que parecia indiferente e passiva, sempre esperando pela iniciativa de Elaine, mas naquela tarde foi diferente. Elaine trouxe a coxa de frango engordurada e esfregou-a em sua própria bucetinha... queria que a menina esperimentasse, seria a primeira vez. O cheiro da carne frita alvoroçou as moscas que começaram a rondar suas coxas secas, deitou a menina no chão e colocou-se sobre ela de ponta cabeça... começou a ensiná-la como deveria fazer chupando-a... o tesão que causava aquela língua encorajou a menina a iniciar suas tímidas lambidas que, rapidamente se transformaram em chupadas... estavam engalfinhadas, famintas e despreocupadas com a presença das moscas em seus rabos, sugando o que sobrava, participando daquela inocente demonstração gastronômica... eram assim, duas meninas sem consciência ou responsabilidade, onde suas escolhas eram determinadas pelos instintos primitivos... duas cadelinhas... duas virgens de baco... entorpecidas de novidades... cheias de dúvidas e, sempre prometendo que era a última vez... mas, não se continham... eram assim, pessoas que não tinham controle... como se alguém tivesse.
Não eram lésbicas, nem sabiam o que era isso, era só curiosidade, diversão e um momento para esquecer a miséria familiar; havia um pacto de fidelidade ao jogo, ao toque, ao seu esconderijo, mas não era assim pra sempre...
Depois da quarta série a menina se mudou para muito longe... nunca mais se viram... nunca mais ofereceram tal banquete as moscas... e a menina nunca mais foi passiva. 
(CONTINUA)

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Primavera



É SÓ UMA ESTAÇÃO... QUE NÃO ACONTECE EM NOSSO CLIMA TROPRICAL...
POIS TEMOS FLORES O ANO INTEIRO... E PODEMOS FAZER O QUE QUISERMOS COM ELAS...
PARA COMEMORAR NASCIMENTO OU HOMENAGEAR A MORTE...
FLORES CABEM EM TODOS OS LUGARES...
MESMO AS DE PLÁSTICO, PANO, PAPEL, TINTA OU GRAFITE...
ATRAEM VÁRIOS ANIMAIS COMO BEIJA-FLORES, BORBOLETAS, MORCEGOS OU VESPAS...
POR SUAS CORES, CHEIROS, ODORES E SABORES
SÃO OFERECIDAS SEJA POR RESPEITO, ADMIRAÇÃO, OBRIGAÇÃO OU QUALQUER SENTIMENTO HUMANO... OU MUNDANO...
FLORES PODEM ALEGRAR, PERFUMAR, ENFEITAR, DROGAR, CURAR,
MAS CERTAS FLORES... TEM ESPINHOS DEMAIS...
PEÇO AS DEUSAS FLORA, ARTEMIS, BLOUDEUWEDD E CLORIS, QUE PROTEJAM AS FLORES DO MAU GOSTO, DAS PARÓDIAS E DOS FALSOS POETAS.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Tanto fez ou tanto faz...





É ASSIM QUE ESTOU ME SENTINDO HOJE...

AMORA


ESTAMOS EM TEMPOS DE AMORA...
DE SE ACEITAR ELOGIOS APENAS DOS DESAFETOS,
DE ACEITAR CRÍTICAS APENAS DOS AMORES.
OS PÉS DE AMORA ESTÃO CARREGADOS,
SEUS FRUTOS MUITO SUCULENTOS,
SUA TINTA MUITO FORTE.
BOM PARA OS PÁSSAROS,
BOM PARA OS QUE PASSAM,
FICAM COM AS MÃOS E BOCAS MANCHADOS,
DE UMA ALEGRIA DOCE E INFANTIL.
SUA DELICADEZA DE ASPECTO
DESTOA DE SUA NÓDOA.
MESMO EMPOEIRADA
PELA ESTAÇÃO SEM CHUVAS
É DEVORADA PELOS OLHOS, BICO E BOCAS SALIVADAS.
ESTAMOS EM TEMPOS DE AMORA,
DE POEIRA, QUEIMADA E AR SECO,
DE RESPIRAÇÃO CANSADA E
SENTIDOS ENFUMAÇADOS
... DE FRUTOS QUE NASCEM NO MATO...
... DE VIDAS QUE RIEM DO DESTINO.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

CABEÇA DE BALÃO

Cabeça de balão
por C.R. Suzuki

Era uma vez uma garota que adorava objetos redondos e brilhantes. Tudo que via queria pra si, anéis, brincos... Mas o que mais gostava era a ilusão do Sol e da Lua.
Sua mãe sempre dizia que iria ficar cega de tanto olhar para o sol, toda vez que a levava para a praia, mas a menina era teimosa, gostava da sensação de pegar os óculos escuros e observá-lo. Certo dia a garota nota algo brilhando no céu que subitamente despenca ao mar. Era um lindo balão que caíra, e o que brilhava era uma bússola exposta por seu dono ao sol. A garota faz inúmeras perguntas, e o senhor, dono do balão conta-lhe inúmeras histórias, nesse meio tempo que estivera em terra firme, tornando-se amigos. Até que chegara a hora da despedida, pois conseguira recuperar seu balão, como última visita, ele a leva para um passeio de balão, como mandava o figurino. Lá de cima, ela viaja com sua imaginação fértil. O senhor lhe dera a pequena bússola reluzente, com isso logo diz: “Menina da cabeça de vento, guiada pela brisa da imaginação, sempre quis o Sol e agora está perto dele!". Ela: "Minha cabeça é igual ao seu balão, quente pelas chamas das idéias e levada pelos ventos... Sim é verdade sempre quis o Sol e graças a você já tenho um pedaço dele!...". Tudo depende de como você olha pelas entre linhas o que você quer! FIM!!

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

DESGRAÇADA POESIA

NÃO ADIANTA SE DISFARÇAR DE BOAZINHA SE É PUTA QUE NÃO ESTÁ NEM AI
SE CHEGOU EM MINHA VIDA DESDE A INFÂNCIA
PRA MOSTRAR QUE EU NÃO TERIA MAIS SOSSEGO
NÃO ADIANTA SE DISFARÇAR DE SALVADORA
DAQUELA QUE VEM ACORDAR OS CORAÇÕES SOLITÁRIOS
FAZ ARRUAÇA AO TEU BEL PRAZER
E RETIRA ATÉ A MOBÍLIA DE MINHA COMPANHIA
NÃO ADIANTA SE DISFARÇAR DE CONSELHEIRA
SE SÓ ASSOPRAS EM MEUS OUVIDOS TEMPESTADES
ÉS MAU AGOURO, ÉS ASSOMBRADA
NÃO TRAZES DE CONSOLO NEM UM PÁRA-RAIOS
ASSUME TODAS AS LINHAS QUE MANIPULA DE NÓS, PERDIDAS MARIONETES
ANOVELA AS LINHAS DO DESTINO ÀS CUSTAS DAS NOSSAS VÍSCERAS
NÃO POSSO TE OFERECER O INFERNO, POIS SERIA TE MANDAR PRO PARAÍSO
NEM POSSO IR PRO INFERNO, SENÃO CAIRIA NOS TEUS BRAÇOS
CAOS É TEU DE DIREITO
ANGÚSTIA SUA VESTIMENTA DE FESTA
POR MAIS QUE TE DISFARÇAS DE BOA MOÇA
COM MODELINHOS, AS VEZES, COMPORTADOS
NOS DESPES NO DESERTO (A MORRER NOS EXTREMOS)
TRANSFORMA NOSSA ALMA EM ENTRELAÇADAS CORRENTES
POESIA: TUDO ISSO VINGANÇA DO QUE NÃO PODE EM CARNE SENTIR?

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

HOJE REENCONTREI BANDEIRA

MASCARADA
Você me conhece?
(Frase dos mascarados de antigamente)

- Você me conhece?
- Não conheço não.
- Ah, como fui bela!
Tive grandes olhos,
que a paixão dos homens
(estranha paixão!)
Fazia maiores...
Fazia infinitos.
Diz: não me conheces?
- Não conheço não.

- Se eu falava, um mundo
Irreal se abria
à tua visão!
Tu não me escutavas:
Perdido ficavas
Na noite sem fundo
Do que eu te dizia...
Era a minha fala
Canto e persuasão...
Pois não me conheces?
- Não conheço não.
- Choraste em meus braços
- Não me lembro não.

- Por mim quantas vezes
O sono perdeste
E ciúmes atrozes
Te despedaçaram!

Por mim quantas vezes
Quase tu mataste,
Quase te mataste,
Quase te mataram!
Agora me fitas
E não me conheces?

- Não conheço não.
Conheço que a vida
É sonho, ilusão.
Conheço que a vida,
A vida é traição.
Manuel Bandeira

ARANHA OU MOSCA DA WEB

“Ocorreram-me várias coisas enquanto pensava no assunto. No silêncio de uma velha sala, eu preparava esta intervenção quando me ocorreu observar na esquina do teto uma teia de aranha. Esse pequeno animal concebera e constituíra não uma casa onde morar, mas uma armadilha para caçar.
  Os ingleses chamam a web a esse entrelaçar de fios. A tradução do termo é ambígua – pode ser rede, pode ser teia. Essa mesma ambigüidade puxou o gatilho de uma velha inquietação [...] Há uns anos a fronteira entre civilizados e os povos indígenas era a sua integração na ilustra europeia. Agora, uma nova fronteira pode estar surgindo – de um lado, os digitalizados e, de outro, os ex-indígenas que passarão de indigentes a indigitalizados. Uma nova proposta de cidadania está em curso. E nós estaremos, de novo, no lado dos subúrbios.
Enfim, a web é uma rede, mas também uma teia. Nessa teia e que voluntariamente aderimos seremos a aranha se tivermos estratégia. Sermos a mosca se nos mantivermos pensando com a cabeça dos outros”.
COUTO, Mia. Pensatempos. Lisboa: Editorial Caminho, 2005.

POLÍTICO: O MELHOR EMPREGO DO BRASIL II

NINGUÉM MAIS QUER TRABALHAR... TODOS QUEREM ESSE EMPREGO... ESTÁ UMA LOUCURA... MAS CUIDADO... O QUE A MAIORIA QUER É ENTRAR COM A FAMA... VENDER O CARGO PARA O SUPLENTE E DEPOIS SAIR DIZENDO... COMO UNS E OUTROS (NÉ, AGNALDO TIMÓTEO???)... QUE NÃO SUPORTARAM A SUJEIRA... TADINHO, QUE INGÊNUO, MAS ELE ESTÁ AÍ DE NOVO... SERÁ QUE SAUDADES DA LATRINA???... 


No Esporte:


Acelino Popó Freitas (PRB-BA)- O boxeador concorre a deputado estadual
Maguila (PTN-SP)- Ex-boxeador,quer ser deputado federal
Marcelinho Carioca (PSB-SP)- Ex-jogador, concorre a deputado federal
Romário (PSB-RJ)- Ex-jogador, busca uma vaga na Câmara Federal
Vampeta (PTB-SP) - Ex-jogador, concorre a deputado federal
Fabiano (PMDB-RS) - Ex-atacante do Inter, é candidato a deputado estadual
Danrlei (PTB-RS) - Ex-goleiro do Grêmio, concorre a deputado federal

Na Música:


Gaúcho da Fronteira (PTB-RS) - Músico concorre a deputado estadual
Kiko (DEM-SP) - Membro do grupo KLB, concorre a deputado federal
Leandro (DEM-SP) - Integrante do KLB, concorre a deputado estadual
Faltou o Bruno... aí poderiam até lançar um novo partido chamado KLB. O que mais tem nesse país é gente safada e partido político!!!

Netinho (PCdoB-SP) - Cantor do grupo Negritude, concorre a senador   (Aquele que bateu na mulher, lembram?)
Reginaldo Rossi (PDT-PE) - Cantor, concorre a deputado estadual
Renner (PP-GO) - Integrante da dupla Rick&Renner, concorre ao Senado
Sérgio Reis (PR-MG) - Cantor e ator, concorre a deputado federal
Tati Quebra-Barraco (PTC-RJ) - Funkeira, concorre a deputada federal


Na Televisão: 

Ronaldo Esper (PTC-SP) - O estilista quer ser deputado federalPedro 
Manso (PRB-RJ) - Humorista, disputa na vaga na Assembleia Legislativa
Dedé Santana (PSC-PR) - Humorista, quer ser deputado estadual
Tiririca (PR-SP) - Humorista, disputa uma vaga na Câmara Federal
Batoré (PP-SP) - Humorista, quer uma vaga na Câmara Federal

No Pomar:


Mulher Melão (PHS-RJ) - Cristina Célia Antunes Batista concorre a deputada federal
Mulher Pera (PTN-SP) - Suellen Aline Mendes Silva quer ser deputada federal


ISTO NÃO CONTANDO OS ANÔNIMOS QUE, COMO ESSES, NÃO TEM NENHUMA FORMAÇÃO... NENHUMA NOÇÃO DE POLÍTICA... NENHUM SENSO DO RIDÍCULO... E... PRINCIPALMENTE... NENHUMA VERGONHA NA CARA!!!

FAGNER - NOTURNO (CORAÇÃO ALADO)



ACORDEI "FAGNER" HOJE... ASSIM... QUERENDO COMEÇAR PELO FIM...QUERENDO DESATAR NÓS CEGOS E ENGORDURADOS... ASSIM... TENDO QUE DECIDIR ENTRE CAMINHAR OU ME ENTUPIR DE PÃO DE QUEIJO... ASSIM... ANUVIADA...

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

POLÍTICO: O MELHOR EMPREGO DO BRASIL

PRECISA SER BRASILEIRO(A);
ESTAR EM DIA COM AS OBRIGAÇÕES LEGAIS;
SABER LER E ESCREVER (INCLUINDO ANALFABETO FUNCIONAL);
ESTAR LIGADO A QUALQUER QUADRILHA, DIGO, PARTIDO POLÍTICO;
ENTENDER O SENTIDO DAS PALAVRAS CORRUPÇÃO, SUBORNO, MARACUTAIA, PROPINA E IMPUNIDADE (OU SERIA IMUNIDADE?);
SER POPULAR: CANTOR(A), MODELO E MANEQUIM, ATOR(ATRIZ), OU TER PARTICIPADO DE QUALQUER 5 MINUTOS DE FAMA DA TÃO "EDUCATIVA" TV ABERTA BRASILEIRA;
SER RAPOSA VELHA NA POLÍTICA, ISTO É, TER CUMPRIDO OUTROS MANDATOS, OU SER FILHO, NETO, BISNETO, TATARANETO... ETC... DE POLÍTICO;
ACEITAR AS PIADAS E CRÍTICAS VAZIAS DOS PROGRAMAS SENSACIONALISTAS COM MUITA CARA DE PAU (TUDO PELO IBOPE);
TER UM SALÁRIO MILIONÁRIO SEM PRECISAR TRABALHAR, POIS NÃO TEM NINGUÉM QUE  FISCALIZA, E AINDA PODER EMPREGAR A FAMÍLIA TODA, COM A AJUDA DOS COLEGAS (TROCA-TROCA FAMILIAR);
NÃO PRECISA CONHECER A CONSTITUIÇÃO, NEM DO CARGO QUE VAI EXERCER, POIS NÃO VAI PRESTAR CONCURSO, NEM QUALQUER AVALIAÇÃO PRA MOSTRAR SUA COMPETÊNCIA OU PRA RECEBER AUMENTO DE SALÁRIO;
É APOSENTADO COM O VALOR INTEGRAL DO SEU SALÁRIO DEPOIS DE DOIS MANDATOS;
MORA DE GRAÇA, VIAJA DE GRAÇA, VESTE DE GRAÇA, COME DE GRAÇA;
CONTROLA O DINHEIRO DO PAÍS TODO E PODE GASTAR COM O QUE QUISER, A POPULAÇÃO É A ÚLTIMA A SABER PRA ONDE FOI OS SEUS IMPOSTOS, QUANDO SABEM.
SÓ FORMULAM E VOTAM EM LEIS QUE OS BENEFICIAM DIRETAMENTE COM DINHEIRO (NA CUECA, MEIA, MALETA, FIOFÓ) OU REGALIAS;
PORTANTO, SE GOSTA DE GANHAR BEM, NÃO TEM NENHUMA FORMAÇÃO PROFISSIONAL OU ACADÊMICA LIGADA A ÁREA POLÍTICA OU ADMINISTRATIVA, NÃO TEM EXCRÚPULO, É MUITO POPULAR E SOFISMÁTICO...
ESSE É O EMPREGO IDEAL PRA VOCÊ, JUNTE-SE A ELES E A MUITOS OUTROS...




















.... UFA ... CHEGA... SÃO TANTOS ABSURDOS QUE NOS FALTAM ESPAÇO PARA EXPOSIÇÃO... DE UMA COISA EU TENHO CERTEZA: DE POLÍTICA A MAIORIA DOS CANDIDATOS  NÃO ENTENDE, MAS EM SER POLÍTICO, CERTAMENTE SABEM, POIS TEM EXCELENTES PROFESSORES ATUANDO NOS PALCOS (câmaras/palácios/explanadas) BRASILEIROS.

A CURA



NÃO SEI SE VÍRUS OU BACTÉRIA OU PARANÓIA
SÓ SEI QUE ENTROU EM MIM
PELO CAFÉ COM CANELA
PELO POLEN  DOS IPÊS AMARELOS
PELOS OLHARES DO URUTAU
CORPO E ALMA
OFUSCA MINHA VISÃO, TATO, PALADAR, AUDIÇÃO E OLFATO
NÃO AUMENTA O MEDO NEM A CORAGEM
ME TIRA A FOME, O SONO, O SOSSEGO
ME DÁ VERTIGEM, TESÃO, "PESADELO"
JÁ TENTEI CHÁ, ASPIRINA E SUADOR
TENTEI BANHO DE RIO, DE SOL E DE SAL
REPOUSO, CAMINHADA E CORRIDA
EXPERIMENTEI SER LAMBIDA, CHEIRADA E CUSPIDA
PENSEI... QUEM SABE SE VOMITAR...
CHORAR NÃO FUNCIONA
PELOS POROS NÃO SAIU
PELAS EXCREÇÕES NÃO ME ABANDONOU
NEM GULA NEM ANOREXIA
DROGAS PRA DORMIR SÓ MUDAM A COISA DE ESTADO:
DE MAL ESTAR FÍSICO PARA PERTUBAÇÃO ONÍRICA
NÃO ENCONTRO O PORTAL DE SAÍDA
SE DESISTIR FICO IMPOTENTE
SE LUTAR FICA MAIS FORTE
QUANDO IGNORO FICO TRANCADA FORA DE MIM
QUANDO MERGULHO É UM ABISMO SEM FIM
NÃO SEI SE ESTOU A PROCURA OU EM FUGA
DA TÃO MISTERIOSA CURA

domingo, 15 de agosto de 2010

É Dr. ... se dobrou a moral do rebanho?



AS VEZES ENCONTRAMOS NA FICÇÃO UM OU OUTRO PERSONAGEM QUE ADMIRAMOS POR SUA CORAGEM DIANTE DE QUESTÕES POLÊMICAS DA SOCIEDADE, DO REBANHO... E ESSES PERSONAGENS PARECEM ACIMA DO BEM E DO MAL, DESAFIAM TODOS OS MODELOS POLITICAMENTE CORRETOS E NOS PRENDEM, CERTAMENTE, POR SUA CORAGEM EM RESOLVER QUESTÕES DE MODO OBJETIVO... MAS COM O TEMPO ELES ENVELHECEM, SE TORNAM DECADENTES E... NÃO MAIS NOS SURPREENDEM POR SEU ÍMPETO, MAS NOS DÃO PENA POR SUAS APROXIMAÇÕES COM NOSSA HUMANIDADE ÓBVIA E CASTRADA DE POTÊNCIAS DE SUPERAÇÃO, DE SUPER COISA NENHUMA... MESMO NA FICÇÃO, HÁ DESGASTES INEVITÁVEIS E AS COISAS NÃO SE SUSTENTAM... NEM NOS SUSTENTAM MAIS... É HORA DE SE CONTENTAR COM A LEMBRANÇA DOS PRIMEIROS EPISÓDIOS... OU MUDAR DE SÉRIE...

BOLSA INCOMPETÊNCIA


O governo de São Paulo às  vésperas de um pleito  majoritário utiliza-se de  subterfúgio para a captação  de votos e cooptação de  possíveis eleitores de  maneira desavergonhada.  Paga um dos menores  salários para os  professores da Educação Básica e pagará, agora, em época de eleição três  vezes mais o tal valor  para "alunos-tutores" e  ainda uma bolsa de  R$50,00 para o aluno  de frequentará aulas de  reforço; com fundos do  BID - endividando o estado. Um absurdo!  Confiram em http://www. multiplicandosaber.org.br /html/press_release.pdf
ESSE TEXTO ACIMA REFLETE A  INDIGNAÇÃO DE UMA AMIGA  PESSOAL E DE TRABALHO A  RESPEITO DA MAIS NOVA  DEMONSTRAÇÃO DE INSANIDADE POR PARTE DO GOVERNO  ESTADUAL EM RELAÇÃO A  EDUCAÇÃO. É UM TOTAL  DESESTÍMULO AO  CONHECIMENTO PELO  CONHECIMENTO, AUTONOMIA  E CIDADANIA RESPONSÁVEL.  COMO JÁ ACONTECE NO  CASO DE PAGAMENTO DE SALÁRIOS A FAMÍLIA DE  PRESOS, SALÁRIO DESEMPREGO,  BOLSA FAMÍLIA, E TANTOS OUTROS ASSISTENCIALISMOS  QUE BENEFICIAM E INCENTIVAM  A INCOMPETÊNCIA, A SAFADEZA  E O DESCASO COM O  DESENVOLVIMENTO SOCIAL,  MUITO AO CONTRÁRIO, POIS CRIAM UMA POPULAÇÃO  DE ACOMODADOS E  AMULETADOS SOCIAIS;  SEM CONTAR OS CASOS DE CORRUPÇÃO, QUANDO O  DINHEIRO É DESVIADO E  PESSOAS QUE REALMENTE  PRECISAM (POR IDADE  AVANÇADA, DOENÇA  OU ABANDONO) NUNCA  RECEBERAM NENHUM  BENEFÍCIO SOCIAL, APESAR DE TER SEUS NOMES  NESSES PROGRAMAS  DE BOLSAS (ANTIGOS  CURRAIS ELEITORAIS, PATERNALISTAS E  ASSISTENCIALISTAS)  QUE NÃO VISAM O  DESENVOLVIMENTO DE UMA SOCIEDADE DIGNA, MAS  DE UMA MANADA DE ZUMBIS,  QUE VIVEM DE ESMOLAS,  QUE QUANTO PIORES MAIS  SERÃO PREMIADOS. TENHO  UM FILHO DE 13 ANOS QUE  ARRUMA O SEU QUARTO, LAVA A LOUÇA DO CAFÉ  E ALMOÇO, CUIDA DA  ALIMENTAÇÃO E DA HIGIENE  DOS SEUS CACHORROS  E GATO, TEM 2 HORAS  DE ACESSO SUPERVISIONADO  AO COMPUTADOR POR DIA, ESTUDA E TIRA EXCELENTES  NOTAS, POR QUE ISSO É O  QUE VAI DIRECIONÁ-LO PARA SE RESPONSABILIZAR POR  SUAS AÇÕES, TER COMPROMISSO  COM O SEU FUTURO, NÃO RECEBE NENHUM DINHEIRO  POR ISSO, ELE ESTÁ  PERPLEXO COM ESSA  SITUAÇÃO: "MÃE, QUER DIZER QUE OS MENINOS QUE  FAZEM BAGUNÇA NA  SALA DE AULA E NÃO  FAZEM SEUS DEVERES DE CASA É QUE RECEBEM? E  NÓS QUE NOS ESFORÇAMOS  NÃO GANHAMOS NADA?  NOSSA... ELES NÃO VÃO  DAR CONTA DE PAGAR  PRA SALA TODA, PORQUE  SE ISSO ACONTECER,  NINGUÉM MAIS VAI QUERER  ESTUDAR..." 
VAMOS PARA 
O MUNDO 
DO "SE" : SE A
SOCIEDADE
TOMASSE AS RÉDEAS DA 
EDUCAÇÃO, SE A FAMÍLIA 
FOSSE PRESENTE NA VIDA 
DOS SEUS
FILHOS, SE A 
ESCOLA TIVESSE AUTONOMIA, 
SE AS SALAS DE AULA 
TIVESSEM 25 ALUNOS,
SE OS PROFESSORES  TRABALHASSEM APENAS  MEIO PERÍODO EM SALA  E O RESTANTE PARA PREPARAR AULA, CONTINUAR  SEUS ESTUDOS E DAR  REFORÇO,E SE GANHASSEM  DIGNAMENTE POR ISSO,  OS ALUNOS SERIAM MUITO  MELHOR ACOMPANHADOS E,  CERTAMENTE A EDUCAÇÃO SERIA SÉRIA EM NOSSO ESTADO E PAÍS, MAS COM  POLÍTICAS EDUCACIONAIS  MERCENÁRIAS COMO NOSSOS  POLÍTICOS ASSALARIADOS,  ESSA POSSIBILIDADE DE  EDUCAÇÃO PARA  RESPONSABILIDADE FICA  CADA VEZ MAIS UTÓPICA.

MÚSICA COMO ARTE

http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=2539741
HOJE NÃO QUIS POLEMIZAR OU QUESTIONAR SOBRE QUALQUER CONCEITO QUE A FILOSOFIA NOS INSTIGA... SOMENTE QUIS OUVIR AS VOZES E INSTRUMENTOS, VER AS IMAGENS E INFORMAÇÕES DE LOCALIZAÇÃO, MESMO SABENDO QUE TUDO ESTÁ CHEIO DE MENSAGENS DE VALORES DE VERDADE, HOJE NÃO PRETENDI BUSCAR NENHUMA VERDADE, SÓ QUIS HUMANAMENTE ME SENSIBILIZAR COM A ARTE... COMO UMA CRIANÇA QUE OBSERVA A BOLHA DE SABÃO QUE SE PERDE NO AR, SEM QUESTIONAR SEUS COMPONENTES QUÍMICOS E SUAS CONSEQUÊNCIAS AO MEIO AMBIENTE, ENFIM... UM ESFORÇO IMENSO, MAS QUE VALEU A PENA... EXPERIMENTE.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

ÓCIO


TRABALHO DESDE MUITO CEDO... AJUDANDO NA ROÇA... DEPOIS COMO BABÁ... E AINDA COMO DOMÉSTICA... ENFIM A TÃO SONHADA CLT AOS 14 ANOS... SOU ASSIM... SEMPRE ME MANTIVE OCUPADA... E CONSEGUIA LER, ESCREVER, ME APAIXONAR, PRODUZIR, ESTUDAR... E CONTINUAVA TRABALHANDO... NÃO FUI EDUCADA PARA O ÓCIO... TENTO ORGANIZAR MEU TEMPO QUANDO ESTOU TRABALHANDO E... NESSE CAOS... CONSIGO SER MAIS QUE UMA REFÉM DO MERCADO DE TRABALHO QUE, COMO DIZIA MARX, SÓ REPRODUZ SUA MATERIALIDADE COTIDIANA... CRIO MUITO MAIS QUE CAVACOS RETIRADOS DOS ENTALHES DO MEU SUADO COTIDIANO... CRIO UMA VIDA INTEIRA REAL E NÃO...
MAS, SINCERAMENTE... ESTOU EXAUSTA... NÃO DO TRABALHO, POIS ESTOU COM 30 DIAS A MINHA DISPOSIÇÃO PARA LER E PRODUZIR... ME ENCONTRO EXAURIDA EM ME POLICIAR PARA FICAR FOCADA NISSO... É MUITO DIFÍCIL TER DISCIPLINA... NUNCA TIVE PRA NADA... FUI A MAIS CHATA EM TODOS OS NÍVEIS ESCOLARES POR ONDE PASSEI (FALAVA, PERGUNTAVA E PENTELHAVA DEMAIS), ERA AQUELE TIPO QUE HOJE QUEREM ROTULAR COMO HIPERATIVO (O NOVO DISCURSO DO PODER A CONTROLAR NOSSOS CORPOS)...
PROCUREI UMA ROTINA ONDE CAMINHAVA PELA MANHÃ (FÁCIL), TOMAVA MEU BANHO (ATÉ AQUI TUDO OK), LIA 3 HORAS (NEM TANTO), PARAVA PRA PREPARAR O ALMOÇO E ALMOÇAVA E DESCANSAVA UMA HORA ( SEMPRE CUMPRIDO), RELIA E ESCREVIA MAIS 3 HORAS (SOCORRO)... 
COMO MUITOS PLANOS QUE FIZ, TEORICAMENTE TUDO DÁ CERTO, MAS OS IMPREVISTOS SÃO MUITOS QUANDO ESTAMOS EM CASA: ATENDER O TELEFONE E O PORTÃO, ADMIRAR AS ORQUÍDEAS QUE ESTÃO ABRINDO, OBSERVAR O AQUÁRIO, PAUSA PRO TESÃO, PAUSA PRA GELADEIRA, PAUSA PRO BANHEIRO, PAUSA PRO COMPUTADOR, PAUSA PRO CAFÉ, PAUSA PRO CHOCOLATE, PAUSA PRA ESCREVER UMA IDÉIAS QUE VEIO (MAS NÃO TEM RELAÇÃO COM A TESE), PAUSA PRA LEMBRAR DE COISAS QUE ACONTECERAM, PAUSA PRA INVENTAR COISAS QUE QUERIA QUE ACONTECESSE, PAUSA.
DEPOIS DE TODA ESSA MARATONA... 2 SEMANAS JÁ SE PASSARAM... NÃO FIZ NEM METADE DO PROGRAMADO... ME SENTINDO CULPADA, ANSIOSA E ANGUSTIADA. CERTAMENTE SE ESTIVESSE TRABALHANDO TERIA PRODUZIDO MUITO MAIS... COM MAIS ESTÍMULO... MAIS INSPIRAÇÃO...